
Jerusalém, 12 mai 2024 (Lusa) – Pelo menos 30 pessoas morreram hoje em várias zonas da Faixa de Gaza, depois de o exército israelita ter retomado os ataques no norte do enclave, enquanto expandia operações militares no sul, segundo a agência noticiosa oficial palestiniana Wafa.
No plano polÃtico, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, voltou hoje a apelar para um cessar-fogo “imediato” na Faixa de Gaza, ao regresso dos reféns e a um aumento da ajuda ao território palestiniano sitiado, numa alocução em vÃdeo enviada a uma conferência internacional de doadores no Kuwait.
“Reitero o meu apelo, o apelo de todo o mundo, para um cessar-fogo humanitário imediato, a libertação incondicional de todos os reféns e um aumento imediato da ajuda humanitária. Mas um cessar-fogo será apenas o começo. Será um longo caminho para recuperar da devastação e do trauma desta guerra”, afirmou o responsável.
A agência noticiosa palestiniana, citando fontes locais, disse que 12 corpos chegaram hoje ao hospital Kamal Adwan, na cidade de Beit Lahia, no norte, onde Israel retomou a sua ofensiva face ao regresso do Hamas.
A maior parte das tropas israelitas abandonou essa zona do enclave palestiniano há um mês para operar apenas no corredor que liga o norte e o sul de Gaza, mas nos últimos dias regressou ao norte, em particular ao campo de refugiados de Jabalia, onde dizem que o grupo islamita se está a reagrupar.
Israel prossegue também os seus ataques em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, onde ordenou a retirada de milhares de pessoas de diferentes bairros, enquanto leva a cabo uma “operação precisa contra o Hamas”, segundo o porta-voz militar Daniel Hagari.
Segundo a agência Wafa, 18 corpos chegaram ao hospital de al-Kuwaiti, na cidade do sul, nas últimas horas, após vários bombardeamentos israelitas.
Nos últimos dias, cerca de 300.000 pessoas abandonaram a região, onde mais de um milhão de palestinianos se refugiou após o inÃcio da guerra.
Desde o inÃcio da guerra, em outubro, cerca de 35.000 pessoas perderam a vida no enclave palestiniano devastado, segundo os dados do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas.
Além disso, milhares de corpos continuam debaixo dos escombros, inacessÃveis à s autoridades locais.
O grupo islamita palestiniano acusou Israel de cometer crimes de “genocÃdio, guerra de fome e limpeza étnica”, num comunicado divulgado no sábado, em que denunciava o encerramento da passagem de Rafah pelo quinto dia consecutivo.
De acordo com o Hamas, a situação impediu milhares de feridos e doentes de saÃrem do enclave, onde quase não existem hospitais a funcionar, para receberem tratamento no exterior, e restringiu a chegada de alimentos e medicamentos.
“Apelamos à comunidade internacional, à s Nações Unidas e à s suas instituições para que tomem medidas urgentes para pôr termo a esta catástrofe humanitária”, afirmou o grupo radical palestiniano.
De acordo com dados públicos da ONU, apenas seis camiões com ajuda humanitária entraram na Faixa de Gaza desde 5 de maio, data em que Israel fechou a passagem de Kerem Shalom – agora reaberta – na sequência de um ataque com foguetes do Hamas que causou a morte de quatro soldados.
O exército israelita afirmou no sábado à noite ter permitido a entrada de cerca de 200.000 litros de combustÃvel através da passagem de Kerem Shalom e ter ajudado a coordenar a abertura de um hospital de campanha no centro de Gaza.
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