
Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, 12 mai 2024 (Lusa) — O artesão Guilhermino Rodrigues constrói réplicas em madeira de famosas catedrais numa oficina, em Vila Pouca de Aguiar, onde corta e cola as milhares de peças que já ergueram a Sagrada FamÃlia ou a BasÃlica de São Pedro.
“O novo projeto é a catedral da Pedra, no Brasil. Este é o meu maior desafio. Fazia mais depressa quatro do Vaticano do que esta”, afirmou o artesão, de 78 anos, à agência Lusa.
Na aldeia da Carrica, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, Guilhermino Rodrigues tem a oficina onde dá vida à sua forma de arte, usando diferentes tipos de madeiras, e um pequeno espaço a que chama “Museu réplica das catedrais da Europa e América”.
Dentro do seu museu guarda a Sagrada FamÃlia (Barcelona, Espanha), a BasÃlica de São Pedro (Vaticano), as catedrais de São Patrick (Nova Iorque, Estados Unidos na América), de Notre-Dame (Paris, França), de Milão (Itália), do Quito (Equador), de Colónia (Alemanha), do Cristo Redentor (Brasil) e ainda do Mosteiro da Batalha, o seu primeiro projeto.
O artesão espera ver concretizado o projeto do municÃpio Vila Pouca de Aguiar para a construção de um espaço museológico ali ao lado, junto à Estrada Nacional 2 (EN2), onde poderão ficar expostas as suas obras de arte.
Replica estes monumentos internacionais através de fotografias dos edifÃcios e de maquetes, sem nunca os ter visto presencialmente. “Para já nunca vi nenhuma delas ao vivo”, referiu, confessando que gostava de visitar a Sagrada FamÃlia e até aperfeiçoar alguns pormenores na sua réplica.
Criou ainda uma igreja da sua autoria e recriou a igreja local de Telões.
Fazer “as coisas mais difÃceis e complicadas” é o que o motiva e desafia e, por isso, agora Guilhermino Rodrigues concentra-se na catedral da Pedra.
“Esta arquitetura é totalmente diferente, é quase como se fizesse duas catedrais, faço uma e depois tenho que revesti-la, mas o trabalho tem que ser feito por partes”, referiu.
É como uma espécie de puzzle. O artesão está a construir peças que depois vai montar até concluir o templo religioso que é conhecido pelas diferentes cores de pedra com que as suas fachadas foram construÃdas.
Para replicar, Guilhermino está a usar madeira de cores diferentes e contou que já fez “cerca de 200 mil peças” que vai, agora, colar para dar vida ao templo religioso.
Na oficina, há madeiras espalhadas e equipamentos que usa como uma serra de fita, um torno, uma lixadora ou um grampo.
O trabalho é dificultado pela artrite reumatoide (doença reumática que afeta principalmente as articulações) que lhe foi diagnosticada aos 50 anos e que lhe afetou as mãos, mas que não o impede de trabalhar.
“Não consigo estar quieto”, confessou à Lusa.
Depois de uma vida dedicada ao trabalho, quer em madeira ou pedra, à construção ou recuperação de igrejas e capelas, em 2011 ouviu o cunhado contar que tinha visto na televisão uma réplica pequena do Mosteiro da Batalha e decidiu que iria fazer uma maior.
“O Mosteiro da Batalha demorou 36 dias a fazer e tem muito rendilhado”, salientou.
Para além das fachadas dos edifÃcios, dos telhados, torres e cúpulas, o artesão faz também o interior dos templos religiosos, como os altares, naves, arcos e a sua iluminação.
Guilhermino Rodrigues integra a Rota dos Artesãos, um projeto promovido pela Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), que pretende ser uma “homenagem à s mãos criativas que, ao longo de décadas, têm vindo a moldar e a preservar a identidade cultural do território”.
A ADRAT salientou, aquando da apresentação da iniciativa, em abril, que “o artesanato é um testemunho vivo da evolução do engenho humano ao longo dos séculos” e que o Alto Tâmega e Barroso “é rico em manifestações artesanais”.
No projeto, que está em construção, já estão inscritos artesãos de diferentes municÃpios deste território do distrito de Vila Real.
*** Paula Lima (texto) e Pedro Sarmento Costa (fotos), da agência Lusa ***
PLI // JAP
Lusa/Fim



