
Bruxelas, 29 abr 2024 (Lusa) — A primeira-ministra da Estónia defendeu, em entrevista à Lusa, que o paÃs é uma “história de sucesso” no alargamento da União Europeia (UE) e que hoje tem a voz que durante décadas a União Soviética silenciou.
“Olhando para os últimos 20 anos [desde a adesão em 01 de maio de 2004], quase parece um perÃodo curto, mas atravessámos um processo de reformas bastante difÃceis, já desde que recuperámos a nossa independência [com a dissolução do bloco soviético] em 1991”, disse Kaja Kallas, em entrevista à agência Lusa.
A primeira-ministra da Estónia revelou que desde a adesão à UE em 2004 “o salário médio aumentou 45 vezes, a pensão média aumentou 60 vezes e os preços, durante este perÃodo, aumentaram pouco mais de cinco vezes”.
“A prosperidade aumentou para a nossa população, assim como o nosso Produto Interno Bruto [PIB]. Por isso, de facto, somos uma história de sucesso no alargamento. Ser europeus está na nossa essência”, completou Kaja Kallas.
“Já o éramos [europeus] antes da ocupação, mas ficámos um pouco esquecidos por detrás da Cortina de Ferro”, argumentou, rejeitando, por essa razão, o discurso utilizado pelos partidos polÃticos tendencialmente nacionalistas que descrevem o que acontece “lá na Europa”, como o Partido Popular Conservador, de Martim Helme.
A primeira-ministra sustentou que a Estónia “faz tanto parte da Europa quanto Espanha, Portugal, França ou, por exemplo, a Alemanha”.
Kaja Kallas acrescentou que duas décadas depois do último grande alargamento, os paÃses do Báltico, particularmente a Estónia, têm uma voz, que durante meio século foi silenciada, fruto das pretensões de Moscovo.
Mas os contextos dÃspares, na sua opinião, fazem uma União Europeia mais completa e coesa.
“Todos os paÃses europeus acrescentam algo valioso. Há experiências históricas, geográficas diferentes e forças também distintas. Mas usemos isso tudo em prol da Europa. Para nós, ser escutados e tratados como iguais é valiosÃssimo. Não tivemos voz durante 50 anos, por isso, valorizamos muito o que temos hoje”, explicou, reconhecendo que o paÃs tenta “não abusar” nas reivindicações que faz.
A proximidade à Rússia fez com que o paÃs ganhasse outra relevância depois da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, e a Estónia quer apresentar-se como um “parceiro construtivo para encontrar compromissos e soluções”.
Kaja Kallas, de 46 anos, é primeira-ministra da Estónia desde janeiro de 2021 e é a primeira mulher a desempenhar estas funções. Em 2011 iniciou a carreira polÃtica enquanto deputada no Riigikogu (parlamento da Estónia) e foi eurodeputada na anterior legislatura.
A primeira-ministra encabeça também o Partido Reformista da Estónia e é uma das vozes dentro da UE que mais tem insistido na necessidade de fazer os possÃveis para que a Ucrânia derrote a Rússia.
Os apelos que Zelensky faz desde o inÃcio da invasão russa receberam sempre uma ‘luz verde’ rápida de Kaja Kallas, que também tem uma posição mais dura do que a maioria dos paÃses do bloco comunitário.
Apontada em 2023 como a possÃvel sucessora de Jens Stoltenberg na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), a ideia desvaneceu, entretanto, com a formalização da candidatura do homólogo dos PaÃses Baixos, Mark Rutte, que Tallinn endossou.
Mas as crÃticas a Moscovo e o ‘punho de ferro’ de Kaja Kallas não passaram despercebidas e em fevereiro deste ano o Kremlin colocou-a na ‘lista de procurados’ pela “destruição e danos provocados de monumentos aos soldados soviéticos”.
*** Ana Matos Neves e André Campos Ferrão, da agência Lusa ***
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