
Washington, 18 abr 2024 (Lusa) — Estados Unidos e Reino Unido impuseram hoje novas sanções ao Irão, numa altura de crescente preocupação de que o ataque sem precedentes de Teerão a Israel possa desencadear uma guerra mais vasta no Médio Oriente.
O Departamento do Tesouro norte-americano disse que visou 16 pessoas e duas entidades no Irão que produzem motores que alimentam os ‘drones’.
Inclui os ‘drones’ Shahed, que o Irão utilizou no ataque contra Israel do passado sábado, 13 de abril, e que também têm sido usados pelas forças russas na guerra contra a Ucrânia.
O Reino Unido tem como alvo várias organizações militares iranianas, pessoas e entidades envolvidas nas indústrias de ‘drones’ e mÃsseis balÃsticos do Irão, segundo as agências norte-americana AP e francesa AFP.
“Continuaremos a utilizar a nossa autoridade em matéria de sanções para combater o Irão com novas ações nos próximos dias e semanas”, afirmou a secretária do Tesouro, Janet Yellen, num comunicado.
O ataque do Irão a Israel surgiu em resposta ao que Teerão diz ter sido um ataque israelita ao consulado iraniano na SÃria, no inÃcio do mês, que causou 16 mortos, incluindo dois comandantes da Guarda Revolucionária iraniana.
O chefe militar israelita disse na segunda-feira que Israel vai responder ao ataque iraniano, enquanto os lÃderes mundiais alertaram para a necessidade de contenção, tentando evitar uma espiral de violência.
Os lÃderes da União Europeia (UE) também prometeram aumentar as sanções contra o Irão, visando as entregas de ‘drones’ e mÃsseis aos grupos que Teerão patrocina em Gaza (Hamas), no Iémen (Houthis) e no LÃbano (Hezbollah).
O chefe da polÃtica externa da UE, Josep Borrell, afirmou hoje que o atual regime de sanções do bloco será reforçado e alargado para punir Teerão e ajudar a evitar futuros ataques a Israel.
Ao mesmo tempo, pediu contenção a Israel.
“Não quero exagerar, mas estamos à beira de uma guerra, uma guerra regional no Médio Oriente, que vai enviar ondas de choque para o resto do mundo e, em particular, para a Europa”, avisou.
“Por isso, parem com isso”, pediu Borrel, citado pela AP.
A situação no Médio Oriente será discutida pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, na sexta-feira, em Paris, com o primeiro-ministro do LÃbano, Najib Mikati, e o comandante do exército libanês, Joseph Aoun.
A visita dos dois dirigentes libaneses foi anunciada pela presidência francesa, segundo a AFP.
Ocorre num contexto de fortes tensões internas e regionais, com o LÃbano mergulhado numa grave crise polÃtica e ameaçado pelo risco de escalada no Médio Oriente após o ataque iraniano a Israel.
Desde o fim do mandato do Presidente Michel Aoun (sem laços familiares com Joseph Aoun), em 31 de outubro de 2022, os deputados libaneses não conseguiram chegar a acordo sobre um sucessor.
O Parlamento libanês está dividido entre o campo do movimento islâmico pró-iraniano Hezbollah e os seus opositores.
Desde o inÃcio do conflito em Gaza, em 07 de outubro de 2023, o LÃbano tem sido palco de trocas de tiros regulares entre o Hezbollah e Israel.
Um comandante local do Hezbollah foi morto na terça-feira no sul do LÃbano pelo exército israelita, com o poderoso grupo apoiado pelo Irão a reivindicar também a responsabilidade por ataques no norte de Israel.
O LÃbano também tem de lidar com a presença no seu território de dois milhões de sÃrios que fugiram da guerra civil no paÃs, o maior número de refugiados ‘per capita’ do mundo.
PNG // APN
Lusa/Fim



