
Lisboa, 16 abr 2024 (Lusa) — As emissões de tÃtulos de dÃvida das administrações públicas superaram as amortizações em 1.800 milhões de euros no final de março, informou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Segundo o banco central, em março o valor total de tÃtulos de dÃvida emitidos por entidades residentes era de 284.300 milhões de euros, mais 4.500 milhões de euros do que no final do mês anterior.
Para esta variação, o BdP diz ter contribuÃdo o facto de as emissões de tÃtulos de dÃvida das administrações públicas terem superado as amortizações em 1.800 milhões de euros e de as emissões de tÃtulos de dÃvida do setor financeiro terem superado as amortizações em 1.200 milhões de euros. Já os tÃtulos de dÃvida pública registaram valorizações de 800 milhões de euros.
Os dados do BdP apontam ainda que, no final de março, o valor total de tÃtulos de dÃvida emitidos pelo setor financeiro era de 74.900 milhões de euros, dos quais 57.600 milhões de euros foram emitidos por bancos.
“Os bancos registaram emissões de tÃtulos de dÃvida superiores à s amortizações em 2.200 milhões de euros desde o inÃcio do ano, das quais 1.400 milhões de euros em março”, detalha.
Segundo o banco central, no primeiro trimestre, os bancos emitiram 10 novos tÃtulos de dÃvida de longo prazo, no total de 4.000 milhões de euros, sendo que cinco destes tÃtulos, no montante global de 2.100 milhões de euros, eram obrigações cobertas, definidas no Regime JurÃdico de Obrigações Cobertas (RJOC) como “obrigações emitidas por uma instituição de crédito garantida por ativos de cobertura sobre os quais os titulares gozam de um privilégio creditório especial”.
No final de março, estavam previstas para os 12 meses seguintes amortizações de 33.500 milhões de euros, o que corresponde a 11,8% dos 284.300 milhões de euros de tÃtulos de dÃvida vivos naquela data.
Entre as amortizações calendarizadas, destacam-se as relativas a tÃtulos do setor financeiro, entre outubro e dezembro de 2024, de 6.800 milhões de euros; tÃtulos das empresas não financeiras, em abril de 2024, de 4.400 milhões de euros; e tÃtulos das administrações públicas, em outubro de 2024, de 2.900 milhões de euros.
Nas empresas não financeiras, as amortizações previstas correspondiam sobretudo a papel comercial, um instrumento de financiamento de curto prazo que o BdP diz ser “muito utilizado pelas empresas portuguesas e que é habitualmente objeto de renovação, isto é, de amortização acompanhada de nova emissão, igualmente de curto prazo”.
“É, por isso, uma situação normal registar-se, sistematicamente, um valor elevado de amortizações calendarizadas para o mês seguinte”, nota.
Em março de 2024, o ‘stock’ de ações cotadas emitidas por entidades residentes atingiu 61.000 milhões de euros, menos 800 milhões do que no final do mês anterior, tendo contribuÃdo para esta variação “essencialmente as desvalorizações das ações cotadas de empresas não financeiras”.
“Nos três primeiros meses do ano, estas ações desvalorizaram-se 4.100 milhões de euros”, detalha o BdP, acrescentando que, “em março, esta desvalorização foi de 1.500 milhões de euros”. Pelo contrário, as ações cotadas do setor financeiro valorizaram-se 700 milhões de euros em março.
Os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal detalham ainda que, em fevereiro, o valor total de tÃtulos de dÃvida ESG (‘Environmental, Social and Governance’) emitidos por entidades residentes atingiu os 11.000 milhões de euros, estando vivos 61 tÃtulos de dÃvida desta categoria.
O BdP atualiza as estatÃsticas de emissões de tÃtulos a 20 de maio.
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