
Lisboa, 12 abr 2024 (Lusa) — A economia portuguesa financiou o exterior em 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, tendo apresentado a maior capacidade de financiamento anual em 10 anos, segundo o Banco de Portugal (BdP).
“Em 2023, a economia portuguesa financiou o exterior em 2,7% do PIB, a maior capacidade de financiamento anual desde 2013”, refere o BdP num comunicado hoje divulgado sobre as interligações entre setores nas contas nacionais financeiras.
O setor financeiro, as administrações públicas e os particulares apresentaram capacidades de financiamento de 2,5%, 1,2% e 1,0% do PIB, respetivamente, em 2023, enquanto as empresas não financeiras “foram o único setor residente a apresentar uma necessidade de financiamento (1,9% do PIB)”.
Os particulares contribuÃram para o financiamento das administrações públicas, em termos lÃquidos, em 4,7%, para os quais contribuÃram a aquisição de certificados de aforro (5,4%) nos primeiros seis meses — quando vigorava uma série com elevada rendibilidade.
“Esta aquisição foi parcialmente compensada pela amortização de certificados do Tesouro (1,6% do PIB)”, apontou o BdP. A transferência dos ativos e das responsabilidades do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), no primeiro trimestre de 2023, pesou 1,1% do PIB no financiamento lÃquido dos particulares à s administrações públicas.
O financiamento lÃquido de 4,1% e 2,4% do PIB junto do resto do mundo e do setor financeiro, respetivamente, resultou, “em grande medida, da redução das aplicações destes dois setores em tÃtulos de dÃvida pública”.
O setor financeiro financiou os particulares em 2,9% do PIB e as empresas não financeiras em 2,3% do PIB.
O financiamento aos particulares foi influenciado “quer pela redução de depósitos junto dos bancos, quer pela transferência dos ativos e das responsabilidades do Fundo de Pensões da Caixa Geral de Depósitos para a Caixa Geral de Aposentações”.
Já o financiamento à s empresas não financeiras adveio, também, da redução dos depósitos junto dos bancos, mas também do aumento dos tÃtulos de dÃvida emitidos por empresas não financeiras na posse do setor financeiro.
O resto do mundo financiou as empresas não financeiras em 1,2% do PIB através da aquisição, por não residentes, de ações e de outras participações emitidas por empresas não financeiras, um elemento compensado, parcialmente, pela redução de empréstimos, aponta o BdP.
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