
Quito, 06 abr 2024 (Lusa) – Um grupo de agentes da polÃcia do Equador invadiu na sexta-feira a embaixada mexicana em Quito, onde estava refugiado Jorge Glas, horas depois do México ter concedido asilo polÃtico ao antigo vice-presidente equatoriano.
A polÃcia equatoriana arrombou o portão principal do edifÃcio diplomático, enquanto vários agentes escalaram os muros e vedações. Durante a operação, as forças de segurança cortaram o trânsito na principal avenida de acesso ao local.
De acordo com a agência de notÃcias EFE, os agentes da polÃcia abandonaram depois a residência, que era alvo de vigilância apertada dos militares do Equador desde a noite de quinta-feira.
As autoridades do Equador não fizeram até ao momento qualquer comentário sobre a operação.
Jorge Glas, alvo de um mandado de prisão por desvio de fundos públicos, refugiou-se na embaixada mexicana em 17 de dezembro, numa decisão que agravou ainda mais as tensões entre os dois governos.
A invasão do complexo diplomático ocorreu horas depois do México ter concedido asilo polÃtico ao antigo vice-presidente do Equador, uma decisão que Quito descreveu como “um ato ilÃcito”.
“A concessão de asilo diplomático, neste caso, constitui um ato ilÃcito do Estado que o concede, apoia a evasão à justiça do Estado equatoriano e promove a impunidade”, lamentou a diplomacia do Equador.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros equatoriano garantiu num comunicado que o paÃs “não irá conceder qualquer passagem segura [a Jorge Glas], uma vez que não é apropriada”.
Na quinta-feira, o Governo do Equador anunciou a expulsão da embaixadora do México no paÃs, em retaliação por declarações do Presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador sobre o assassÃnio do candidato à presidência equatoriana Fernando Villavicencio.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Equador declarou Raquel Serur Smeke persona ‘non grata’, medida diplomática que implica a saÃda da embaixadora do paÃs.
Num comunicado, a diplomacia do Equador sublinhou que a saÃda de Serur Smeke “não significa romper relações diplomáticas” e não revelou detalhes sobre quando a diplomata mexicana iria deixar o paÃs.
Numa conferência de imprensa, López Obrador comentou as consequências do assassÃnio nas presidenciais do Equador, que deram a vitória a Daniel Noboa, um polÃtico inexperiente e herdeiro de uma fortuna construÃda com o comércio de bananas.
O Presidente mexicano disse que a morte de Villavicencio prejudicou sobretudo Luisa González, a candidata do movimento de esquerda Revolução Cidadã, liderado pelo ex-Presidente progressista Rafael Correa (2007-2017).
O assassÃnio de Villavicencio, um jornalista conhecido por denunciar casos de corrupção, faz parte da onda de violência que atinge o Equador há cerca de três anos e tornou o paÃs em um dos mais violentos da América Latina, com 45 homicÃdios por 100 mil habitantes em 2023.
VQ // VQ
Lusa/Fim



