
Nairobi, 26 mar 2024 (Lusa) – O Governo queniano começou hoje a entregar os 429 corpos das vÃtimas do massacre de Shakahola, membros de um culto do juÃzo final que está no centro de um processo judicial que chocou o paÃs, aos familiares das vÃtimas.
As autoridades estão a utilizar testes de ADN para ajudar a identificar os corpos e as suas famÃlias, pois as vÃtimas tinham sido obrigadas a queimar todos os seus documentos de identificação.
Os corpos exumados na zona de Shakahola, no subcondado de Malindi, no condado de Kilifi, mostram sinais de estrangulamento e de subnutrição, pois, alegadamente, o lÃder do culto denominado de Igreja Internacional da Boa Nova, Paul Mackenzie, pediu aos seus seguidores que jejuassem até à morte para “se encontrarem com Jesus”.Â
Paul Mackenzie está indiciado por vários crimes, nomeadamente homicÃdio, sendo que está acusado desde fevereiro, juntamente com os seus cúmplices, de torturar e matar 191 crianças.
O julgamento começa em 23 de abril.
Segundo informou a Associated Press, as emoções estavam ao rubro na casa mortuária de Malindi quando as famÃlias recolheram os seus entes queridos para serem enterrados.
O ministro do Interior, Kithure Kindiki, categorizou a organização ‘Good News International Ministries’, de Mackenzie, como um grupo criminoso organizado.
Mackenzie está a cumprir uma pena de prisão de um ano, depois de ter sido considerado culpado de gerir um estúdio de cinema e de produzir filmes sem uma licença válida.
Alguns quenianos indignados questionaram como é que as autoridades não se aperceberam de nenhum sinal das mortes em massa que estavam a ocorrer.
A Comissão dos Direitos Humanos do Quénia afirmou, na semana passada, que a polÃcia não atuou em relação a relatórios que poderiam ter evitado as mortes na remota zona de Shakahola. Várias queixas tinham sido apresentadas nas esquadras da polÃcia por pessoas cujos familiares tinham entrado na zona florestal.
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