
Nações Unidas, 18 mar 2024 (Lusa) — O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje para o risco de uma guerra nuclear, apontando que “a humanidade não pode sobreviver a uma sequência de Oppenheimer”, o premiado filme que “revelou a dura realidade do apocalipse nuclear”.
“Reunimo-nos hoje num momento em que as tensões geopolÃticas e a desconfiança colocaram o risco de guerra nuclear no seu nÃvel mais elevado desde há dezenas de anos”, repetiu Guterres durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre a não-proliferação nuclear, organizada pelo Japão.
“O relógio do apocalipse gira, o seu ‘tic-tac’ ressoa em todos os ouvidos”, afirmou Guterres.
Em Hollywood, o filme de Christopher Nolan “Oppenheimer”, “deu vida a uma dura realidade do apocalipse nuclear para milhões de pessoas em todo o mundo”, assinalou o secretário-geral.
“A humanidade não pode sobreviver a uma sequência de Oppenheimer. Todas as vozes, todos os alertas, todos esses sobreviventes, imploram ao mundo para se afastar do precipÃcio de que se abeira”, advertiu Guterres.
“Oppenheimer” retrata os momentos decisivos da vida de Robert Oppenheimer, o fÃsico norte-americano que fez entrar o planeta na era nuclear, precipitando o fim da Segunda Guerra Mundial quando os Estados Unidos lançaram bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki.
Hoje, Guterres inquietou-se pela perspetiva de uma nova corrida ao armamento nuclear.
“Os instrumentos de guerra são alvo de investimentos muito superiores aos investimentos de paz. Os paÃses canalizam consideráveis recursos em novas tecnologias nucleares mortais e estendem a ameaça a novos domÃnios”, lamentou.
“E certas declarações evocaram a perspetiva do inÃcio de um inferno nuclear, ameaças que devemos denunciar coletivamente e em tom forte”, acrescentou, sem designar qualquer paÃs.
“Hoje, essas armas são mais potentes, em raio de ação e em furtividade. Será apenas necessária uma má decisão, um erro de avaliação, uma ação precipitada, para que ocorra um lançamento ocasional”, frisou.
Num momento em que o Conselho de Segurança nunca esteve tão dividido, Guterres sublinhou a necessidade de reconhecer que será apenas com trabalho conjunto que será possÃvel “erradicar o risco de um holocausto nuclear”.
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