
Teerão, 09 mar 2024 (Lusa) — O Irão condenou hoje um relatório de peritos nomeados pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU sobre as manifestações de 2022, denunciando a “iranofobia” dos paÃses ocidentais.
O relatório, divulgado na sexta-feira, baseia-se em “afirmações sem fundamento”, reagiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Nasser Kanani, num comunicado citado pela agência francesa AFP.
Os especialistas internacionais afirmaram que a repressão do Irão contra os protestos pacÃficos do final de 2022 e a “discriminação institucionalizada” contra as mulheres e as raparigas conduziram a “crimes contra a humanidade”.
O Conselho dos Direitos Humanos pediu o inquérito na sequência das manifestações que abalaram o Irão a partir de setembro de 2022 e da morte de Mahsa Amini.
A jovem, de 22 anos, morreu depois de ter sido detida pela polÃcia da moralidade por violar o código de vestuário da República Islâmica, que obriga as mulheres a usar o véu em público.
As autoridades iranianas recusaram-se a participar no inquérito.
O porta-voz da diplomacia de Teerão disse no comunicado divulgado hoje que o inquérito se baseia em “informações falsas e tendenciosas sem base legal”.
Segundo Kanani, “o comité de peritos não só não conseguiu apurar a verdade, como distorceu deliberadamente os factos”.
O relatório “foi preparado pelo regime sionista [Israel], pelos Estados Unidos e por alguns paÃses ocidentais”, disse Kanani.
O porta-voz considerou que os paÃses em questão “prosseguem um projeto de iranofobia e de difamação do Irão”.
Estes paÃses “estão zangados com o fracasso das suas intervenções durante os motins”, referiu.
Kanani acrescentou que a comissão especial nomeada pelo chefe de Estado iraniano, Ebrahim Raissi, para investigar os tumultos de 2022, “enviou o relatório final ao Presidente nos últimos dias”, sem revelar as conclusões.
As autoridades afirmam que os motins foram fomentados pelos inimigos da República Islâmica, nomeadamente os Estados Unidos.
Segundo os peritos da ONU, as forças de segurança iranianas mataram pelo menos 551 manifestantes e “utilizaram uma força desnecessária e desproporcionada”.
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