
Nairobi, 22 fev 2024 (Lusa) – As emissões de dióxido de carbono (CO2) produzidas por veÃculos pesados aumentaram 30% desde 2000, alertou hoje o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) num relatório que pede “regulamentação ambiciosa” para reduzir esta poluição.
“Os camiões e os autocarros contribuem para o crescimento económico em quase todo o mundo, mas são necessárias regulamentações ambiciosas para travar as suas emissões, que geram impactos ambientais e na saúde”, indica o chefe da Unidade de Mobilidade Sustentável do PNUMA, Rob de Jong, no documento.
A instituição salienta que os veÃculos pesados são responsáveis por mais de 40% das emissões de óxido de azoto (poluente atmosférico) nas estradas.
Estes transportes são, segundo o documento, responsáveis por 60% das partÃculas abaixo de 2,5 mÃcrons (um mÃcron corresponde à  milésima parte do milÃmetro), que podem causar problemas cardÃacos e pulmonares nas pessoas que as respiram e ainda 20% do carbono negro, formado pela combustão incompleta dos combustÃveis utilizados.
O relatório alerta que a utilização de veÃculos pesados deverá continuar a subir “consideravelmente devido ao aumento das atividades económicas e à necessidade de transportar pessoas e mercadorias”.
O problema é particularmente grave nos paÃses em desenvolvimento, que dependem da importação de veÃculos pesados usados, por vezes em mau estado de conservação, poluentes e inseguros.
Não existem paÃses com requisitos mÃnimos para a exportação de veÃculos pesados usados, de acordo com o relatório, que também conclui que a regulamentação em mais de metade dos paÃses importadores é “fraca” ou “muito fraca” e está a ser inadequadamente aplicada.
Neste contexto, “é uma responsabilidade partilhada dos paÃses importadores e exportadores garantir que os veÃculos usados mais limpos e mais seguros estejam disponÃveis nas estradas dos paÃses em desenvolvimento”, estabelecendo “normas mÃnimas”.
Dados referidos no relatório mostram que a grande maioria dos camiões e autocarros registados na União Europeia são a diesel, facto que leva o PNUMA a recomendar uma mudança para tecnologias mais limpas em alguns autocarros.
“A introdução de tecnologias mais limpas nos autocarros pode ser um importante motor da revolução global em direção a transportes com baixas emissões e, em última análise, com emissões zero”, afirmou De Jong.
O relatório baseia-se em dados de exportação do Japão, da União Europeia e da Coreia do Sul, que, em conjunto, representam cerca de 60% do mercado de exportação de veÃculos pesados novos e usados para 146 paÃses, predominantemente de baixo e médio rendimento.
O PNUMA admite que o relatório é limitado pela falta de dados públicos disponÃveis dos Estados Unidos, que não separam as exportações de veÃculos novos e usados, e da China, um exportador emergente.
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