
Lisboa, 21 fev 2024 (Lusa) – O ex-lÃder da CGTP, Arménio Carlos, defende que um dos desafios do movimento sindical é dar voz aos trabalhadores dentro dos locais de trabalho, de forma organizada, numa altura em que surgem movimentos de contestação inorgânicos.
“Um trabalhador revoltado, se não estiver organizado, pode tornar-se amanhã num trabalhador conformado”, afirmou em entrevista à agência Lusa.
Arménio Carlos lembrou que a lei prevê o direito à atividade sindical em empresas e locais de trabalho onde não existem trabalhadores sindicalizados, que considerou ser uma “conquista da CGTP” introduzida depois pelo Governo na Agenda do Trabalho Digno.
“Neste momento, o grande desafio do movimento sindical unitário é claramente, nos próximos anos, trabalhar no sentido de rentabilizar ao máximo esta conquista”, defendeu.
Segundo disse, “não está em causa o aparecimento” desses movimentos inorgânicos. “Agora, o que está neste momento a ser necessário é que esse descontentamento, essa por vezes revolta e essas exigências se façam sentir de forma objetiva dentro dos locais de trabalho e de maneira organizada”, sublinhou à Lusa o antigo lÃder sindical, atualmente aposentado.
O ex-secretário-geral da CGTP realçou que os sindicatos e os movimentos inorgânicos não são contraditórios, mas defendeu que “se o movimento sindical não conseguir entrar nos locais de trabalho, nas empresas, os trabalhadores não terão voz para assumir as suas reivindicações no confronto direto com as entidades patronais”.
Outro dos desafios é, segundo disse, resolver o problema dos baixos salários e da precariedade no paÃs, uma situação identificada pelos partidos que concorrem à s eleições legislativas de 10 março, mas sobre a qual, no seu entender, nem todos apresentam soluções.
“Esta é uma das questões mais complicadas que exigem, da parte dos partidos, esclarecimento e clarificação concreta, para que depois os trabalhadores, no momento do voto, não tenham dúvidas sobre quem está com eles e quem está contra eles”, afirmou.
Segundo Arménio Carlos, só é possÃvel fixar os jovens em Portugal se as remunerações corresponderem à quilo que são as suas habilitações e qualificações e, se isto não for feito, o paÃs ficará a perder com a emigração destes trabalhadores.
Quanto à s propostas de atualização do salário mÃnimo nacional apresentadas pelos partidos polÃticos, o antigo dirigente sindical considerou que “são irrisórias”.
“Se olharmos para as propostas do PS e da [coligação] AD, o que eles propõem é uma regressão relativamente à evolução do salário mÃnimo nos últimos anos”, disse Arménio Carlos.
Tanto o PS como a coligação AD propõem que o salário mÃnimo, que atualmente é de 820 euros, atinja os 1.000 euros até ao final da legislatura, em 2028, resultando numa média de 45 euros de aumento por ano, o que “é inferior à s atualizações dos últimos dois anos”, salientou.
Arménio Carlos, 68 anos, foi secretário-geral da CGTP entre 27 de janeiro de 2012 e 15 de fevereiro de 2020.
No final dos dois mandatos como lÃder da CGTP, voltou ao seu posto de trabalho como eletricista na Carris, onde esteve durante cerca de um ano e meio e acabou por aposentar-se quando atingiu a idade para a reforma, aos 66 anos e meio.
Sucedeu-lhe no cargo a atual secretária-geral, Isabel Camarinha, cujo mandato de quatro anos termina no sábado, no XV congresso da central sindical, que se realiza no Seixal (distrito de Setúbal) na sexta-feira e no sábado.
Tiago Oliveira, coordenador da União de Sindicatos do Porto, com 43 anos, deverá ser o próximo lÃder da intersindical.
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*** Denise Fernandes, da agência Lusa ***
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