
Lisboa, 17 fev 2024 (Lusa) – Centenas de professores de todo o paÃs estão hoje a manifestar-se em frente ao parlamento, em Lisboa, naquele que consideram “o último grito” pela escola pública antes das eleições.
À frente do protesto, que desceu do Largo do Rato para São Bento, professores seguram uma grande tarja que diz “Marcha pela Educação” e o ‘slogan’ é gritado com musicalidade “1, 2, 3 já cá estamos outra vez, 4, 5, 6 estamos fartos outra vez, 7,8, 9 já ninguém nos demove”.
Vários cartazes trazem inscritas palavras de ordem em defesa da escola (“A educação é cara? Experimentem a ignorância”) e são comuns os cravos vermelhos a contrastar com ‘t-shirts’ pretas.
“Chamámos [a esta manifestação] ‘o último grito antes das eleições’. Mas não vai ser de todo o último grito da escola pública. Vai continuar a luta pelos alunos, pela escola pública, pela educação”, afirmou à Lusa Esperança Calçada, que veio de Viana do Castelo.
A professora de português e inglês traz ao peito um crachá com Mafalda, a personagem de banda desenhada de Quino, a gritar “Basta”, e carrega um bombo tÃpico do Minho para animar a manifestação.
Esperança Calçada diz que se sente a repetir a cada protesto, mas tem de o fazer porque não há melhorias na educação e a sua principal reivindicação, além da recuperação do tempo do serviço, são as condições de trabalho nas escolas, dando o exemplo de não haver professores em número e competências adequadas para alunos com necessidades educativas especiais.
Francisco Marques, do Porto, contou à Lusa que é a sétima vez que se manifesta em Lisboa e que nem tem os 6 anos, 6 meses e 23 dias de tempo de serviço para recuperar, porque voltou à profissão mais recentemente, mas que o faz para reivindicar que a “educação deste paÃs seja planificada como deve ser, que está em cacos”, sem professores e outros profissionais necessários, com instalações precárias e os professores sem exigência e a autoridade que devem ter.
“Acima dos salários, que são baixos, este problema é mais grave. Eu sinto-me muito mais desconsiderado pela ausência de exigência. Quando os professores deixarem de ser exigentes, deixarem de vir à s manifestações, deixarem de exigir uma escola melhor, temos um paÃs irremediavelmente hipotecado” afirmou.
O professor de Português considerou que os encarregados de educação tiveram já, eles próprios, um ensino facilitado pelo que também a sua exigência é cada vez menor.
“Há uns anos as pessoas não compreendiam as cartas das finanças, do banco, e pediam a um vizinho que lhas lesse. Nós vamos ter esse problema agora, mas as pessoas vão estar com o 12.º ano, não sabem ler, escrever, interpretar”, disse, considerando ainda um “escândalo” o modo como é tratado o ensino profissional, que deveria ser vocacional, e é usado pelos governantes como “escape para a não aprendizagem”.
Aliás, disse, os Governos usam sucessivamente “disfarces” para os resultados da educação “para enganar as entidades externas e os portugueses”.
Este protesto foi organizado por um grupo de professores, Ã parte de sindicatos, e foi divulgado em grupos e redes sociais.
Ao megafone, vários professores apelaram à união da classe e que a luta não pertence a qualquer partido ou bandeira e que não parará até obter o reivindicado.
IM // MAG
Lusa/Fim



