
Porto, 15 fev 2024 (Lusa) — O presidente do Conselho de Administração da Lusa considerou hoje que a compra da agência pelo Estado, que não se concretizou em 2023 por falta de consenso polÃtico, é uma oportunidade adiada que espera ver retomada pelo próximo Governo.
“Para mim foi uma oportunidade adiada que espero que seja retomada”, reforçou Joaquim Carreira à margem da apresentação do anuário de 2023 que decorreu hoje na Câmara Municipal do Porto e que chega, pelo terceiro ano consecutivo, à s livrarias com o objetivo de resumir o ano e divulgar uma parte do trabalho dos jornalistas da Lusa.
Assumindo que a não concretização do negócio não era o desfecho que esperava, o administrador entendeu, contudo, que a discussão em torno do mesmo levou a que se falasse muito mais da agência e se relembrasse a sua importância no panorama do sistema da comunicação social.
Numa altura em que as eleições legislativas estão próximas e a comunicação social atravessa um perÃodo conturbado, ampliado pela crise no Global Media Group (GMG) detentor de tÃtulos como o JN, O Jogo e TSF, Joaquim Carreira salientou ser o momento de repensar o estado deste setor onde a Lusa tem “claramente um papel vital”.
Na opinião do presidente do Conselho de Administração têm de ser feitas perguntas aos partidos polÃticos sobre a comunicação social, sobretudo sobre o papel da Lusa que presta um serviço público “isento, rigoroso, factual e de confiança”.
É muito importante que os partidos voltem a falar e a debater a questão da comunicação social, depois do principal arco de governação o ter feito quando o negócio da compra da agência estava a ser delineado, salientou.
Joaquim Carreira explicou que o negócio implicava que o serviço da Lusa passasse a ser gratuito, o que seria importante para os órgãos de comunicação social mais pequenos, dado que, grande parte deles não têm poder de compra para subscrever o serviço.
Isto seria algo muito importante para o futuro, nomeadamente no combate à desinformação e à s assimetrias regionais e tecnológicas porque se não existir uma agência de notÃcias pública com serviço público isento vão-se criar bolhas mediáticas, vincou.
O Estado financia a Lusa pelo serviço público prestado (em 2022 cerca de 16 milhões de euros com IVA incluÃdo) e os clientes da Lusa pagam um valor mensal por ter acesso à s notÃcias (as receitas próprias ficaram próximas de quatro milhões de euros em 2022 segundo os últimos dados divulgados).
Em final de novembro, o Governo anunciou que falhou o processo de compra pelo Estado de 45,7% da agência Lusa, pertencentes à Global Media e à Páginas Civilizadas, por “falta de um consenso polÃtico alargado”. Se o negócio tivesse ido avante, o Estado ficaria com a quase totalidade da Lusa.
Em janeiro, o ministro da Cultura disse que o Estado propôs pagar cerca de 2,5 milhões de euros, valor ao qual era preciso descontar a dÃvida, pelas participações da Global Media e das Páginas Civilizadas na Lusa, e que a intenção era aumentar a indemnização compensatória da agência Lusa já em 2024 e, dessa forma, tornar o seu serviço gratuito para toda a comunicação social.
Para Adão e Silva, a gratuitidade da Lusa permitiria a “pelo menos mais 600 órgãos de comunicação social” aceder ao serviço da agência e manifestou-se confiante que o próximo Governo avance com a medida.
O Estado detém 50,15% da Lusa, com o grupo Global Media a ser detentor de 23,36% e a Páginas Civilizadas 22,35%.
SVF (IM) // RBF
Lusa/Fim



