
Maputo, 16 jan 2024 (Lusa) – A Administração Nacional de Estradas (ANE) de Moçambique identificou 175 estradas em risco para a atual época das chuvas e ciclones, segundo o plano de contingência a que a Lusa teve hoje acesso, que identifica algumas vias alternativas.
“Por se prever existirem indicadores claros de ameaça de inundações e danos nas infraestruturas rodoviárias que integram a rede de estradas classificadas, poderá ser considerada a adoção de medidas preventivas extremas, que não excluem a interdição do trânsito de viaturas, considerando que muitas áreas poderão se tornar inacessÃveis”, alerta-se no documento.
O plano, lê-se, foi preparado para “fazer face a eventuais danos resultantes das enxurradas na presente época chuvosa e ciclónica”, e “mapeia as vias de acesso crÃticas, indicando possÃveis danos” – e vias alternativas em alguns casos -, “com vista a monitoria sistemática”.
Neste levantamento, a provÃncia de Sofala apresenta 32 vias em risco, de diferentes tipologias, seguindo-se Nampula (31), Zambézia (27), Manica (17), Niassa (14), Inhambane (14), Maputo (12), Cabo Delgado (dez), Gaza (dez) e Tete (oito).
O plano de contingência desenhado pela ANE refere que “contempla estradas que integram a rede de estradas classificadas do paÃs, sobretudo a das provÃncias onde se prevê aumento de precipitação influenciado pelo fenómeno ‘El Niño'”.
“Visando a mitigação dos impactos nefastos”, a ANE apela aos cidadãos e automobilistas para a observação do plano “sempre que se impuser a efetivação de deslocações para o transporte de passageiros e de carga nas vias e perÃodos indicados”.
No plano apela-se “à prudência e estrita cautela à s situações crÃticas descritas no mesmo, recorrendo, onde isso for possÃvel, à s vias alternativas indicadas, evitando assim possÃveis embaraços e inconveniências que possam advir dos fenómenos calamitosos”.
Pelo menos 44 pessoas morreram em Moçambique na atual época das chuvas, desde outubro, devido ao mau tempo, das quais 19 na provÃncia da Zambézia.
De acordo com um relatório de balanço do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de 01 de outubro a 08 de janeiro, as descargas atmosféricas foram a principal causa de morte (28 casos) neste perÃodo, relacionadas com as condições atmosféricas, seguidas do desabamento de paredes (13) e afogamentos (três).
As chuvas e ventos fortes afetaram em todo o paÃs, neste perÃodo, 4.056 famÃlias, num total de 19.729 pessoas, e 49 ficaram feridas, provocando ainda a destruição parcial de 1.611 residências, enquanto 718 foram totalmente destruÃdas e 1.784 inundadas.
Há registo ainda de 137 salas de aula destruÃdas, 21 escolas, 3.968 alunos e 42 professores afetados. O mau tempo afetou ainda oito unidades sanitárias e nove casas de culto, destruindo igualmente 88 quilómetros de estradas até 08 de janeiro.
O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, apelou, no final de setembro, à preparação da população e das entidades para os previsÃveis efeitos do fenómeno ‘El Ninõ’ no paÃs nos próximos meses, com previsões de chuvas acima do normal e focos de seca.
“A história repete-se. Então, temos de criar condições de resiliência. Nesse sentido, o Governo emitirá avisos regulares para manter a população informada e preparada para as condições climáticas que podem não ser favoráveis à vida, à produção ou à s infraestruturas”, afirmou o chefe de Estado.
Moçambique é considerado um dos paÃses mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O perÃodo chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vÃtimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o paÃs.
Já no primeiro trimestre do ano passado, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram no paÃs mais de 1,3 milhões de pessoas, destruÃram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, segundo dados oficiais do Governo.
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