
Bruxelas, 04 jan 2024 (Lusa) – O secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, convocou uma reunião do Conselho NATO-Ucrânia para dia 10 de janeiro para discutir os últimos bombardeamentos russos no paÃs invadido desde 24 de fevereiro de 2022.
O anúncio foi feito pelo porta-voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Dylan White, na rede social X (antigo Twitter).
O pedido de reunião do organismo que tem como propósito aproximar a Ucrânia da NATO foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba.
O Conselho NATO-Ucrânia nasceu em julho de 2023. Foi uma das conclusões da cimeira da Aliança Atlântica organizada em território lituano, com o objetivo de aproximar as decisões militares da organização polÃtico-militar da qual Portugal também faz parte e a Ucrânia, paÃs que quer aderir, mas ainda não tem condições para o fazer, nomeadamente por estar em guerra.
Recentemente a Rússia fez os maiores bombardeamentos do último ano em território ucraniano, atingindo as duas principais cidades do paÃs.
Os ataques com drones (aeronaves sem tripulação) têm aumentado, assim como a sua intensidade.
O ano começa cheio de incerteza para a Ucrânia, que apesar de ouvir uma e outra vez que tem o apoio inequÃvoco dos paÃses da NATO, está a ver um desgaste no apoio financeiro, polÃtico e militar ao paÃs.Â
Na União Europeia (a maior parte dos paÃses pertencem à NATO), o bloqueio húngaro prevaleceu até hoje e sem aprovação de um apoio de 50 mil milhões de euros as Forças Armadas ucranianas podem ser incapazes de resistir à s investidas das tropas russas.
Em simultâneo, os 27 do bloco comunitário europeu poderão falhar a aquisição de um milhão de munições de artilharia prometidas para março.
Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos da América, o apoio de Washington é praticamente nulo, apesar de a Casa Branca insistir que permanece ao lado do paÃs invadido por Moscovo há quase dois anos.
O problema está no Congresso norte-americano, com um desgaste entre os congressistas, principalmente os republicanos, e as atenções voltadas internamente para as eleições presidenciais de novembro e externamente para o conflito no Médio Oriente, que começou por ser entre Israel e o movimento islamista Hamas, mas as tensões alastraram a toda a região e grande parte da comunidade internacional a criticar as decisões militares de Telavive e organizações civis a considerarem que está em causa um genocÃdio de palestinianos na Faixa de Gaza.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, passou o último ano a insistir na necessidade de o paÃs receber aeronaves de combate, nomeadamente os F-16 (também utilizados por Portugal), mas a formação de pilotos ainda está a decorrer e a entrega das aeronaves foi mais demorada do que a Ucrânia queria (em parte devido a um ceticismo inicial dos paÃses que apoiam a Ucrânia).
Se o primeiro ano foi de resistência para as tropas ucranianas, o segundo foi caracterizado por analistas e responsáveis militares como um ano de impasse, com poucos avanços e menos território anexado pela Rússia recuperado pelas tropas ucranianas.
Contudo, nas últimas semanas as tropas leais ao Kremlin intensificaram os bombardeamentos a edifÃcios residenciais e infraestruturas crÃticas.Â
O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou os últimos ataques com uma retaliação contra o bombardeamento da cidade russa de Belgorod.
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