
Nova Iorque, 22 dez 2023 (Lusa) – A Pornhub, um dos maiores portais de conteúdos para adultos do mundo, admitiu ter lucrado com tráfico sexual e concordou efetuar pagamentos a mulheres que apareceram em vÃdeos publicados sem consentimento, anunciaram procuradores norte-americanos.
A Aylo Holdings, a empresa-mãe do portal ‘online’, chegou a um acordo para resolver uma acusação relacionada com transações monetárias ilegais que envolviam receitas de tráfico sexual, de acordo com o gabinete de Breon Peace, procurador dos Estados Unidos para o distrito oriental de Nova Iorque.
O acordo prevê que a empresa, sediada em Montreal, no Canadá, pague mais de 1,8 milhões de dólares norte-americanos (1,6 milhões de euros) ao Governo dos EUA, bem como faça pagamentos separados às mulheres prejudicadas pela ação. Exige, além disso, a nomeação de um monitor independente por três anos, após os quais as acusações serão retiradas.
“Esperamos que esta resolução, que inclui determinados pagamentos acordados à s mulheres que viram as imagens publicadas nas plataformas da empresa e uma monitorização independente, traga alguma possibilidade de alÃvio à s pessoas negativamente afetadas”, afirmou Peace em comunicado.
O diretor do gabinete do FBI em Nova Iorque, James Smith, disse que a Aylo Holdings “enriqueceu conscientemente ao fechar os olhos” à s vÃtimas que disseram à empresa terem sido enganadas e coagidas a participar nos vÃdeos.
Os procuradores afirmaram que a Aylo concordou em pagar uma indemnização a essas mulheres, embora não tenham sido divulgados pormenores sobre quem beneficia da indemnização e como ter acesso a ela.
A acusação teve origem após a Aylo ter recebido vÃdeos e aceitado pagamentos da GirlsDoPorn.
Os operadores dessa empresa de produção de filmes para adultos, agora extinta, foram acusados de uma série de crimes de tráfico sexual, incluindo a coação de mulheres jovens a envolverem-se em atos sexuais filmados, que eram depois publicados no Pornhub e noutros ‘sites’ para adultos, sem o consentimento dessas mulheres.
Os procuradores afirmaram que, entre 2017 e 2020, a Aylo recebeu dinheiro que os funcionários da empresa sabiam ou deveriam saber que provinha das operações de tráfico sexual da GirlsDoPorn.
O Ministério Público defendeu também que a empresa não agiu de forma suficientemente rápida para remover os vÃdeos não consentidos, mesmo depois de várias mulheres terem apelado diretamente para o fazerem.
A Aylo gere sÃtios web para adultos, tanto gratuitos como pagos, onde fornecedores de conteúdos podem publicar e distribuir vÃdeos para adultos, gerando receitas através de acordos de licenciamento, publicidade e subscrições.
Segundo os procuradores, a empresa recebeu mais de 100 mil dólares (90,8 mil euros) da GirlsDoPorn, bem como cerca de 764 mil dólares (694 mil euros) em pagamentos de anunciantes atribuÃdos à empresa de produção.
Anteriormente conhecida como MindGeek, a Aylo Holdings afirmou em comunicado que “lamenta profundamente” ter alojado conteúdos da GirlsDoPorn nas plataformas de ‘streaming’ de vÃdeo.
A empresa disse que a GirlsDoPorn forneceu formulários de consentimento, supostamente assinados pelas mulheres, mas que não tinha conhecimento de que estes tinham sido obtidos através de fraude e coação.
A empresa afirmou ainda que os procuradores não consideraram que a Aylo ou as filiais tenham violado quaisquer leis penais federais que proÃbem o tráfico sexual ou a exploração sexual de menores.
“A Aylo não se declara culpada de qualquer crime e o Governo concordou em rejeitar a acusação contra a empresa ao fim de três anos, desde que a empresa continue a cumprir o acordo de acusação diferida”, afirmou.
O acordo, apresentado no tribunal federal de Brooklyn, surge depois de a União Europeia ter anunciado, na quarta-feira, que o Pornhub e dois outros grandes ‘sites’ pornográficos seriam obrigados a verificar a idade dos utilizadores, alargando o alcance da lei dos Serviços Digitais, destinada a manter a segurança das pessoas na Internet.
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