
Lisboa, 18 dez 2023 (Lusa) — A presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF)advertiu hoje para a necessidade de medidas de promoção da importação de medicamentos, considerando que proibição da exportação de fármacos não resolverá o problema da escassez.
Na passada sexta-feira, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) proibiu a exportação de 140 medicamentos de várias categorias e substâncias ativas.
“Não é uma lista de exportação que vai resolver esse problema de escassez ou esse problema de falta do medicamento. É mais um contributo, mas numa estratégia que tem de ser global”, disse hoje à Lusa Ema Paulino, à margem da conferência “Escassez de Medicamentos: Farmácias como parte da solução”, da ANF, em Lisboa.
A circular informativa do Infarmed — que entrou em vigor na sexta-feira — atualiza os medicamentos que estão com a exportação temporariamente suspensa, uma lista que é definida mensalmente para incluir os fármacos em rutura de ‘stock’ no mês anterior e cujo impacto tenha sido considerado médio ou elevado.
De acordo com a presidente da ANF, tem de haver medidas que “promovam a importação de medicamentos” e de “garantia de viabilidade económica do produto em Portugal”.
“Se a indústria farmacêutica não tiver um produto que seja rentável no mercado nacional, nem o cá vai colocar”, atentou.
Em relação a novembro, a lista agora publicada integra menos dois medicamentos, totalizando 140 apresentações de fármacos de várias categorias e substâncias ativas, como metilfenidato (psicoestimulante), cloropromazina (antipsicótico), propranolol (anti-hipertensivo), a vacina contra o meningococo (Nimenrix), Oxicodona (opioide analgésico) ou a vacina contra a encefalite japonesa (Ixiaro).
Em jeito de balanço da conferência, que decorreu no Infarmed, Ema Paulino considerou que os participantes saÃram com “uma visão das medidas que estão a ser trabalhadas que vão ter impacto a médio-longo prazo a nÃvel dos incentivos para a indústria farmacêutica”.
“Muita coisa tem vindo a ser feita ao nÃvel da União Europeia também a nÃvel nacional. Muitas dessas soluções têm vindo a contribuir de forma muito positiva para termos cada vez mais opções para apresentar à s pessoas num momento em que identificámos um produto em falta, mas que há outras oportunidades ainda de intervenção que podem ser melhoradas e operacionalizadas que foram aqui consensualizadas”, frisou.
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