
Dubai, 12 dez 2023 (Lusa) – A diretora executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu hoje os mercados de carbono como essenciais para combater as alterações climáticas e disse que, sem este mecanismo, a descarbornização não será suficientemente rápida.
“Sem um mercado de carbono justo e a funcionar corretamente, a descarbonização não vai acontecer suficientemente depressa, por isso temos de incentivar este modelo, já que a própria Mãe Natureza está a ajudar-nos, porque os paÃses ricos e os pobres já estão a sentir na pele a devastadora força das alterações climáticas”, disse Kristalina Georgieva numa entrevista à CNBC, à margem da conferência das Nações Unidas sobre o ambiente, a COP28, que termina hoje no Dubai.
O mercado de carbono é um mecanismo internacional que permite que os paÃses ou empresas mais poluentes possam exceder as metas acordadas no Acordo de Quioto, mediante a compra de uma licença emitida por paÃses que poluem menos do que o limite a que se comprometeram no âmbito desse acordo, ou que lançam projetos que compensam as emissões de outro paÃs ou empresa.
O FMI aumentou recentemente a previsão de preço desta licença para emitir, passando de 75 para 85 dólares por tonelada, mas até agora o preço tem sido apenas de 20 dólares por tonelada, o que mostra que este mercado está ainda a dar os primeiros passos.
Para a lÃder do Fundo, a COP28 foi uma boa oportunidade para os paÃses avaliarem as polÃticas que incentivam o uso de combustÃveis fósseis, nomeadamente os subsÃdios para carvão, petróleo e gás, que chegaram aos 1,3 biliões de dólares, cerca de 1,2 biliões de euros, no ano passado.
“Temos de acabar com isto, de forma gradual, e substituir por outros incentivos, como colocar um preço na descarbonização; quero dizer a toda a gente que esteja disposta a ouvir-me que a fixação de preços do carbono funciona”, disse Georgieva, exemplificando com a União Europeia, que através do Sistema de Comércio de Emissões registou “não só uma rápida redução das emissões, mas também um aumento das receitas, para 175 mil milhões de euros”.
Para além da redução das emissões e do aumento das receitas, o aprofundamento do mercado de carbono “também é justo, porque quem mais polui, mais paga, e quanto menos alguém polui, menos paga, e muitos paÃses podem ganhar algum dinheiro e reinvestir nas pessoas mais vulneráveis”, argumentou Georgieva na entrevista ao jornalista Dan Murphy, da CNBC.
Moçambique foi um dos paÃses que já entrou neste mercado, tendo levado 45 milhões de créditos de carbono para a COP28, segundo anunciou o Presidente, Filipe Nyusi, num discurso no Dubai onde lembrou que logo em 2018 este paÃs lusófono viu 1,9 milhões de créditos certificados para comercialização.
Questionada sobre o papel das empresas de petróleo e gás e sobre como convencer estas companhias a adotarem o mecanismo de fixação de preços do carbono, Georgieva respondeu: “Uma das boas notÃcias da COP foi o compromisso de triplicar a energia renovável nos próximos anos, e penso que a indústria do petróleo e gás já percebeu o que aà vem; vemos muitos paÃses produtores de petróleo a diversificarem-se muito rapidamente e vemos também um investimento proveniente do dinheiro gerado com a migração do petróleo para as renováveis em grande escala”.
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