
Bamako, 11 dez 2023 (Lusa) – A missão da ONU no Mali (Minusma) acabou oficialmente hoje, após dez anos de presença neste paÃs assolado pelo terrorismo e por uma crise profunda, por ter sido expulsa pela junta militar no poder.
A Minusma baixou hoje a bandeira das Nações Unidas da sua sede perto do aeroporto da capital do Mali, Bamako, disse à agência de notÃcias France-Presse o seu porta-voz, Fatoumata Kaba.
Os correspondentes da agência puderam assistir ao inÃcio de uma cerimónia, que marca simbolicamente o fim da missão, embora alguns dos seus elementos ainda estejam no local, segundo o porta-voz.
O encerramento põe fim a uma missão iniciada em 2013, perante a propagação da violência que ameaçava a estabilidade de um Estado pobre e frágil.
Desde então o terrorismo espalhou-se para o centro do paÃs e para os paÃses vizinhos do Mali, na região do Sahel, o Burkina Faso e o NÃger, causando milhares de mortes entre civis e combatentes e forçando a deslocação de milhões de pessoas.
Com mais de 180 membros mortos em atos hostis perpetrados principalmente por grupos armados afiliados à Al-Qaeda e à organização extremista Estado Islâmico, a Minusma é a missão de paz da ONU mais duramente atingida nos últimos anos. Esta força era composta de cerca de 15.000 militares e polÃcias de vários paÃses.
Apesar das perdas humanas e de um compromisso financeiro considerável, a Minusma foi cronicamente criticada pela sua impotência face à s ações terroristas por parte de uma fação da opinião pública e dos seus lÃderes.
A sua presença tornou-se quase insustentável, mas também indesejada pelos militares que assumiram a governação do paÃs em 2020, após um golpe de Estado. O Burkina Faso e o NÃger, por sua vez, também assistiram à subida ao poder de regimes militares nos últimos anos.
As relações entre a Minusma e a junta continuaram a deteriorar-se. A ONU denunciou abertamente as proibições de voos e outras barreiras colocadas pelas autoridades ao cumprimento das ações da missão. As autoridades protestaram contra a interferência, segundo elas, da Minusma na defesa dos direitos humanos, o que fazia parte do seu mandato.
O chefe da diplomacia maliana, Abdoulaye Diop, acabou por pedir ao Conselho de Segurança da ONU a saÃda “sem demora” da Minusma em junho último, classificou a missão da ONU como um “fracasso” e acrescentou que aquela não era a solução, mas “parte do problema”.
A Minusma não pôde permanecer contra a vontade das autoridades malianas e Conselho de Segurança cancelou o mandato da Minusma em 30 de junho fixando o objetivo de abandonar o paÃs até 31 de dezembro.
Desde então, a Minusma desligou-se da maior parte das suas 13 posições, em condições difÃceis, no norte, sob a pressão de uma escalada militar entre todos os intervenientes armados presentes no terreno.
Além de Bamako, a Minusma continua a fechar os locais de Gao e Timbuktu (norte), onde, depois de 01 de janeiro se realizará o que a ONU chama de “liquidação” da missão. Isto implicará, por exemplo, a entrega dos últimos equipamentos à s autoridades ou a rescisão de contratos existentes.
Até sexta-feira, mais de 10.500 funcionários militares ou civis da Minusma deixaram o Mali, de um total de cerca de 13.800 no inÃcio da retirada, indicou a Minusma no X (antigo Twitter).
ATR // ANP
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