
Vila Franca de Xira, 21 nov 2023 (Lusa) – O secretário-geral do PCP pediu hoje que não se perca tempo com ‘faits divers’ que não têm “consequência nenhuma na vida das pessoas” e servem “de alÃvio” ao Governo e desvalorizou a questão relativa à s Unidades Locais de Saúde.
Numa tribuna pública sobre o tema “Defender o SNS”, que decorreu hoje à frente do centro de saúde de Alhandra, Paulo Raimundo apelou a que a população “não se deixe enrolar”, nem “escorregue nas cascas de banana” que lhe põem o caminho.
“Não percamos tempo com as distrações que são criadas, com os ‘faits divers’, com o problema entre o A, o B e o C. Não, os problemas das nossas vidas, do paÃs, não estão nesses ‘faits divers'”, sustentou.
Para o lÃder do PCP, os problemas da população estão “no centro de saúde, porque não há médicos, está à porta da casa que não consegue pagar, está no trabalho, que se trabalha, trabalha, trabalha e não se consegue sair da pobreza”.
“São esses os problemas a que é preciso dar resposta e não os ‘faits divers’ das parangonas dos jornais e dos telejornais. A vida de cada um, de todos, é isso que é preciso dar resposta”, defendeu.
Pouco depois, em declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo foi questionado sobre os ‘faits divers’ a que se referia em concreto, tendo respondido que “infelizmente são muitos”.
“Nós temos assistido, nos últimos dias, a não factos, a não acontecimentos, mas que ganham uma dimensão que – não menosprezo a sua importância -, mas estão muito longe das preocupações das pessoas”, referiu.
Interrogado sobre o apelo do PSD, Chega e BE para que seja revogado o decreto que cria as novas Unidades Locais de Saúde (ULS), Paulo Raimundo considerou que o fundamental é dar resposta aos problemas no SNS e não estar “em jogos para trás e para a frente que não têm nenhuma consequência”.
Questionado, contudo, se percebe a preocupação do PSD e Chega sobre esta matéria, o lÃder do PCP disse que sim, apesar de a achar “completamente desconjuntada”.
“O que é que isso altera à vida destas pessoas? Nada. Estamos numa situação em que tudo serve para entreter e estamos nisso”, criticou.
Já interrogado sobre as trocas de palavras entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, o secretário-geral do PCP considerou que esse é um tema que está precisamente nesse “bolo dos ‘faits divers’ e das tricas que não têm consequência nenhuma na vida das pessoas”.
Paulo Raimundo defendeu que esses temas têm sido “um alÃvio” para o Governo, que “passa tempo a comentar coisas que têm um interesse pontual e escusam de estar a comentar” questões como a falta de médicos, de consultas ou de tratamentos.
“A malta entretém-se a comentar, durante muitas horas, coisas que de certeza absoluta não levaram ninguém a perder o sono. Agora, à conta de vir para a fila à s 23:00 para ter consulta no dia a seguir, como eu já presenciei, isso é que tira o sono à s pessoas”, referiu.
Nestas declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo criticou ainda o ministro da Saúde por ter dito que os médicos não têm feito “nenhuma aproximação” à s posições do Governo, considerando que Pizarro tem “pouca moral” para dizer isso, “porque andou 19 meses a enrolar negociações”.
Sobre a nova ronda de negociações, esta quinta-feira, Raimundo considerou que “é obrigatório” o Governo chegar a acordo com os sindicatos dos médicos, “para dar respostas aos problemas” no SNS.
No seu discurso na tribuna pública, o lÃder do PCP voltou a defender que “é hora de mudar de polÃtica” e pô-la “ao serviço de quem deve estar” e apelou à mobilização da população para “resolver os problemas de hoje e de agora” e “condicionar as soluções de amanhã”.
“As eleições estão aà e são uma oportunidade, com o reforço do PCP e da CDU, (…) para abrir um caminho novo, de que o paÃs precisa”, defendeu.
TA // JPS
Lusa/Fim



