
Lisboa, 13 nov 2023 (Lusa) — Milhares de pessoas marcam hoje presença no arranque da cimeira tecnológica Web Summit, em Lisboa, esperando maior foco nas mulheres, num evento que quer estar longe das polémicas que afastaram o cofundador Paddy Cosgrave.
Ao inÃcio da tarde, as filas de acesso ao palco principal da Web Summit, na Altice Arena, onde vai decorrer a sessão de abertura, já contavam com quilómetros de extensão.
O evento inaugural estava marcado para as 16:00, mas deverá sofrer um atraso de aproximadamente duas horas.
A inteligência artificial (IA) é um dos temas em destaque no evento deste ano, que foi marcado pela demissão do cofundador Paddy Cosgrave da presidência executiva da Web Summit, na sequência de declarações que fez na rede social X (antigo Twitter) sobre o conflito que envolve Israel e o Hamas.
O estudante Andrea Tortella veio do Mónaco e está a estrear-se neste evento, onde um dia espera ser orador, mostrando-se ainda entusiasmado em ouvir as palavras da nova presidente executiva, Katherine Maher.
“Acho que as palavras de Paddy Cosgrave já impactaram muito este evento. Esse tipo de discurso tem que ficar longe da realidade tecnológica”, referiu Tortella, em declarações à Lusa.
Apesar da lamentar a saÃda de algumas empresas que inicialmente confirmaram a sua presença no evento, Andrea Tortella mostrou-se “feliz e muito animado por ver tanta gente” a chegar à Altice Arena.
Entre a mescla de sotaques e lÃnguas que se podem ouvir pela zona da antiga Expo, o português também se destaca.
Andreia Monteiro está na cimeira tecnológica também pela primeira vez e tentou “não investigar demasiado para poder aproveitar, ao máximo” o evento.
“Estou muito interessada nas palestras sobre música e indústria e sobre a forma como as editoras trabalham porque também é a minha área”, confessou.
Apesar de ter ouvido “algum burburinho” sobre o antigo lÃder da cimeira, Andreia Monteiro garante que agora “já ninguém está a pensar nisso”. O foco é a tecnologia e “há muita coisa para ser falada”, vincou.
De Los Angeles, Califórnia, veio Gigi Johnson, que já não é uma estreante nestas andanças.
“É a minha quarta vez na Web Summit e a sexta vez em Portugal. Espero conhecer novas pessoas e novas oportunidades”, adiantou.
Johnson mantém a esperança de que sejam abordados outros temas além da Inteligência Artificial e quer ver um maior foco “sobre as mulheres”, mostrando-se ainda satisfeita com a escolha da nova presidente executiva.
“É bom saber que a CEO é uma mulher. É uma oportunidade de futuro”, considerou.
Já Andrei Cursaru, de Bucareste, não esconde o seu entusiasmo relativamente à cimeira, sobretudo sobre as organizações ligadas à área da defesa, mas também da investigação.
“Adoraria encontrar-me com a fundadora da Web Summit e com o responsável pela Wikipédia […]. Temos aqui pessoas incrÃveis e ferramentas para comunicar. Este é um ambiente incrÃvel, que liga as pessoas”, sublinhou.
A Web Summit decorre até quinta-feira e conta com a presença recorde de 2.600 ‘startups’ (empresas com rápido potencial de crescimento tecnológico).
Na inauguração é esperada a nova presidente executiva, Katherine Maher, o fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, o presidente executivo da Unbabel, Vasco Pedro, a managing partner da Indico Capital Partners, Cristina Fonseca, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, bem como o ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva.
Em 21 de outubro, Paddy Cosgrave demitiu-se do cargo, tendo sido substituÃdo pela antiga diretora da Wikimedia Foundation Katherine Maher.
A oitava edição da Web Summit acontece em Lisboa poucos dias depois do primeiro-ministro, António Costa, ter apresentado a demissão.
Após as duas primeiras edições na capital portuguesa, a Web Summit e o Governo anunciaram, em 2018, uma parceria de 10 anos, o que mantém a cimeira em Lisboa até 2028.
PE (ALU) // JNM
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