
Kiev, 07 nov 2023 (Lusa) — O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assegurou hoje que o seu paÃs fará “parte da União Europeia (UE)”, na véspera da publicação de um relatório sobre os progressos realizados pela Ucrânia, que tem estatuto de candidata.
“Amanhã [quarta-feira] é um dia importante”, sublinhou o chefe de Estado ucraniano, durante o seu habitual discurso noturno dirigido à nação, classificando o próximo relatório como histórico.
O executivo europeu apresenta esta quarta-feira um relatório sobre o estado dos progressos alcançados não só pela Ucrânia, mas por todos os paÃses com o mesmo estatuto: Moldova, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia e Turquia.
A decisão sobre uma adesão só pode ser tomada no Conselho Europeu de dezembro, mas dela dependerá a avaliação que constará do relatório.
Volodymyr Zelensky sublinhou que o seu paÃs “já está a preparar os próximos passos”, nomeadamente através do fortalecimento das suas instituições.
“A Ucrânia fará parte da União Europeia”, garantiu o governante, referindo-se ao “longo caminho” já percorrido para uma aproximação.
No entanto, lembrou, isso exige trabalho do paÃs, alvo desde fevereiro de 2022 de uma invasão russa, para “se adaptar à s normas da UE”.
Em junho de 2022, a UE concedeu à Ucrânia o estatuto de candidata, num gesto altamente simbólico.
Para que o parecer seja positivo e haja uma recomendação ao Conselho para deliberar sobre o inÃcio das negociações formais, os paÃses candidatos têm de comprovar que avançaram nas recomendações que a Comissão fez.
Estas incluem reformar o sistema jurÃdico e reforçar a sua independência, criar medidas eficazes para combater a corrupção — o que na Ucrânia tem um peso considerável por causa de décadas de influência das oligarquias — e ainda avançar na digitalização e transição energética, para os candidatos se equipararem aos paÃses que já fazem parte da UE.
No último sábado, Ursula von der Leyen apareceu de surpresa em Kiev e depois de um encontro com Zelensky disse estar confiante de que a Ucrânia está a fazer de tudo para aderir à UE e que essas reformas estariam vertidas no relatório, pelo que é expectável que haja um parecer positivo, pelo menos, em relação à Ucrânia.
“Tenho de dizer que houve excelentes progressos, é impressionante constatá-lo, e vamos atestar isso mesmo, na próxima semana, quando a Comissão apresentar o seu relatório sobre o alargamento”, disse Ursula von der Leyen, em conferência de imprensa conjunta com o Presidente da Ucrânia, no sábado.
Desde 24 de fevereiro de 2022 que a Ucrânia procura reafirmar a sua independência perante a Rússia, que anexou partes substanciais do seu território, e para isso o Presidente, Volodymyr Zelensky, apontou à adesão à UE e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) como maneira de virar o paÃs a ocidente e impedir futuros ataques russos.
Com a UE, o inÃcio do processo foi o mais rápido até hoje e, em simultâneo com a vizinha Moldova, a Ucrânia recebeu o estatuto de candidato em junho de 2022.
Do lado da NATO, as expectativas de Zelensky acabaram defraudadas, com o ‘travão’ colocado pelos lÃderes dos 31 paÃses que compõem a aliança polÃtico-militar.
Da cimeira de julho deste ano saiu a criação do Conselho NATO-Ucrânia, um órgão que aproxima o paÃs, mas, na prática, não é uma promessa de adesão, que foi remetida para o futuro.
DMC (AFE) // RBF
Lusa/Fim



