
Beirute, 29 out 2023 (Lusa) — O ministro da economia Libanês, Amin Salam, afirma que a crescente insegurança regional deixa o LÃbano à beira de um desastre no que toca à s reservas de comida, combustÃvel e medicamentos.
“Entre o que está disponÃvel no paÃs agora, aquilo que está a chegar aos portos de Beirute e Tripoli e o que está para chegar nas próximas semanas, eu diria que temos reservas para dois ou três meses”, diz em entrevista à Lusa o ministro.
A 22 de outubro, o governo libanês anunciou que está a desenvolver um plano de contingência, caso o paÃs mergulhe numa guerra, face à s ameaças do grupo xiita libanês Hezbollah, financiado pelo Irão, de atacar Israel.
Algumas das medidas neste plano incluem assegurar infraestruturas chave como o aeroporto de Beirute, que foi bombardeado por Israel durante a última guerra com o Hezbollah em 2006, e também as autoestradas principais e os portos do paÃs, que fecharam durante esse conflito.
Dado que o LÃbano é quase unicamente dependente de importações que chegam na sua grande maioria por via marÃtima, uma das preocupações principais do governo é assegurar as reservas de bens essenciais para os próximos meses. O ministro da Economia, responsável por esta área, explica à Lusa as dimensões deste desafio.
“Em 2006, quando começou a guerra, a SÃria estava aberta. TÃnhamos importações e exportações a entrar e a sair do paÃs, as pessoas estavam a deixar o LÃbano através da SÃria após o nosso aeroporto ser atingido. Mas agora o aeroporto [de Damasco] também está a ser bombardeado e está fechado”, diz Salam.
Portanto, diz o ministro, num cenário de guerra o LÃbano poderá ficar isolado, e dependente das poucas reservas existentes no paÃs, que foram altamente reduzidas após a explosão do porto de Beirute em 2020 e a consequente destruição dos silos onde estava “a única reserva nacional” de grãos e trigo.
Amin Salam diz que o governo está neste momento a tentar aumentar as importações, mas “os exportadores estão a pedir ao setor privado que pague à cabeça e estão a pedir liquidação em dinheiro para assegurar os pagamentos daquilo que estão a vender”. Dada a vasta crise económica que assola o LÃbano desde 2019, o setor privado não tem a capacidade de adiantar estes pagamentos.
Os efeitos da guerra em Gaza e dos conflitos entre o Hezbollah e Israel a sul do LÃbano já se fazem sentir na economia. As companhias de seguro para a indústria marÃtima já começaram a cobrar preços mais altos (“premium”) ou a retirar completamente a sua cobertura.
A decisão já causou um aumento de 2% a 3% nos preços, diz o ministro. No entanto, a maior preocupação entre o governo e o setor privado é que as companhias de transporte decidam, mesmo sem uma declaração oficial de guerra, que é demasiado arriscado continuar as exportações para o LÃbano sem condições de segurança e que estanquem a entrega de bens essenciais ao paÃs.
“Se houver um embargo marÃtimo, tudo o que estamos a discutir está em risco, porque tudo o que precisamos de importar vem do mar”, diz Salam.
Amin Salam diz que, apesar dos efeitos imediatos, o grande fator de risco é a já existente crise económica que continua a afetar a confiança de investidores e dos próprios libaneses na economia.
“Qualquer pessoa que tenha nem que seja um dólar no LÃbano, ou está a gastá-lo no LÃbano ou está a entrar arranjar maneira de enviá-lo para fora do LÃbano”, diz Salam.
“Até pessoas que têm dinheiro num cofre em casa vão estar a pensar como é que podem tirar isto daqui porque alguém pode entrar dentro das suas casas. Portanto, o que está a acontecer não está a ajudar esta situação desafiante pré-existente”, disse à Lusa o ministro.
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