
Beira, Moçambique, 26 out 2023 (Lusa) — As autoridades moçambicanas anunciaram hoje, na Beira, o inÃcio da reconstrução de 15.000 casas na região centro do paÃs, destinadas à s vÃtimas do ciclone Idai, ocorrido em março de 2019.
“É um projeto que já constava nos programas de reconstrução de novas habitações à s vitimas dos ciclones em Sofala. Nós vamos construir as novas habitações à s 15.000 famÃlias vulneráveis afetados pelos ciclones”, anunciou o diretor-executivo do Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclones, LuÃs Paulo Mandlate.
Trata-se, explicou, de um projeto financiado pelo Banco Mundial, num valor de 42 milhões de dólares, visando a construção de 15.000 habitações destruÃdas pelo Idai, cuja seleção de igual número de agregados familiares arrancou nos distritos do Dondo, Búzi e Nhamatanda e Beira.
Numa primeira fase arrancou o levantamento e apuramento das 15.000 famÃlias beneficiárias, obedecendo a critérios de vulnerabilidade climática, nomeadamente maior exposição à s calamidades naturais, nÃveis de pobreza e de destruição das habitações e acesso à s infraestruturas básicas, entre milhares de casas atingidas pelo ciclone Idai há mais de quatro anos.
A apresentação do projeto foi feita hoje na Beira, capital da provÃncia de Sofala, centro de Moçambique, e resultou de um inquérito, porta a porta, realizado por 555 inquiridores contratados e treinados pelo Instituto Nacional de EstatÃstica (INE), com duração de dois meses, no qual foi identificada existências de mais de 15.000 famÃlias que necessitam de assistência urgente na reabilitação das respetivas infraestruturas.
Mandlate explicou que para além da componente habitacional que será coberta pelo financiamento do Banco Mundial, aquele gabinete conta com mais 58 milhões de dólares para a restauração e/ou construção de 43 edifÃcios públicos arruinados na Beira, Dondo, Búzi, Dondo e Nhamatanda, quatro mercados destruÃdos no Búzi, Dondo e Nhamatanda e uma ponte cais, no Búzi.
Seguiu-se a fase de seleção de Organizações Não-Governamentais (ONG) que apoiarão o processo de reconstrução e de treino de artesãos que vão apoiar as famÃlias na reedificação das suas casas: “Estimamos que a seleção das famÃlias, ONG e de artesãos seja concluÃda em alguns meses, para em seguida se iniciar com as intervenções de reabilitação propriamente ditas. A mobilização de fundos junto aos parceiros vai continuar com vista a cobrir o défice”.
É que de acordo com Mondlate, as necessidades de reconstrução pós-ciclones em Moçambique situam-se na ordem de 3.200 milhões de dólares, para uma disponibilidade de apenas 1.600 milhões de dólares.
Moçambique é considerado um dos paÃses mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O perÃodo chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vÃtimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o paÃs.
Já no primeiro trimestre deste ano, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram no paÃs mais de 1,3 milhões de pessoas, destruÃram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, segundo dados oficiais do Governo.
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