
Lisboa, 16 out 2023 (Lusa) — A petição pública contra o aumento do Imposto Único de Circulação (IUC) dos carros anteriores a 2007, contemplado na proposta do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024), já soma mais de 119 mil assinaturas.
Dirigida ao presidente da Assembleia da República e ao primeiro-ministro, a petição pública (lançada ‘online’) manifesta-se contra o agravamento do IUC para os carros de matrÃcula anterior a julho de 2007 (altura em que o antigo ‘selo do carro’ deu lugar ao IUC) lembrando que a “maioria dos proprietários” dos veÃculos mais antigos são pessoas “economicamente mais vulneráveis”.
De acordo com a informação disponÃvel ‘online’, a petição já conta com 119.050 assinaturas (tendo triplicado em cerca de três dias), ultrapassando largamente as 7.500 assinaturas necessárias para que o tema seja levado a debate no parlamento.
Em causa está uma medida contemplada na proposta do OE2024 que altera as regras de tributação, em sede de IUC, para os veÃculos da categoria A de matrÃcula anterior a 2007 e motociclos (categoria E), determinando que estes deixem de ser tributados apenas com base na cilindrada (como sucede atualmente), passando a ser considerada a componente ambiental.
Na sequência desta alteração, aquela tipologia de veÃculos vai ver o IUC aumentar, com a proposta orçamental a limitar o aumento anual a 25 euros, “até que a taxa de IUC represente a totalidade da tributação relativa ao CO2 emitido por estes veÃculos”.
“A coleta do IUC, relativa aos veÃculos das categorias A e E, decorrente das alterações efetuadas pela presente lei, não pode aumentar, anualmente, mais de 25 (euro) por veÃculo”, lê-se na proposta de lei do OE2024.
No relatório que acompanha a proposta orçamental, o Governo justifica a medida com a necessidade de acautelar o cumprimento de “exigências ambientais”, conjugando-a com a “criação de um incentivo ao abate de veÃculos antigos, que visa promover a renovação do parque automóvel e a descarbonização do transporte de passageiros”.
No texto da petição “contra o aumento previsto do IUC para automóveis anteriores a 07-2007” referem-se notÃcias a darem conta de que este aumento do imposto serviria para compensar as “perdas resultantes dos descontos que o Governo planeia aplicar” em cinco autoestradas (antigas SCUT), com os promotores a apresentarem uma alternativa para arrecadação de receita, sugerindo que os carros elétricos “comecem a pagar o IUC de acordo com a potência dos seus motores, eliminando a isenção atual, e que não sejam sujeitos à taxa adicional de carbono que é aplicada aos veÃculos a combustão”.
Os promotores da petição lembram também que os proprietários destes carros mais antigos serão na sua maioria pessoas que pertencem “a grupos sociais economicamente mais vulneráveis, uma vez que, se tivessem condições financeiras mais favoráveis, poderiam trocar de veÃculo regularmente”.
Para os restantes veÃculos, a taxa do IUC é atualizada em 2,9%.
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