
Lisboa 07 out 2023 (Lusa) — O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, desafiou hoje o Governo a “reabrir a mesa negocial” e a apresentar “propostas escritas” que vão ao encontro do caderno reivindicativo dos profissionais de saúde.
“Aguardamos as propostas do Governo para que a situação seja ultrapassada. Propostas escritas. Não nos basta conversa, pois isso tivemos durante 16 meses. Tivemos muita paciência e fizemos tudo para que pudéssemos chegar a um acordo”, afirmou o responsável do SIM.
Jorge Roque da Cunha falava esta tarde durante a V convenção do SIM, com o tema “Defender os médicos, os doentes e o SNS. Responsabilidade Sindical. Irresponsabilidade Governamental”.
No seu discurso, o secretário-geral do SIM começou por fazer várias crÃticas à postura negocial do Governo, instando-o depois a reabrir “a mesa negocial” para que sejam discutidas várias propostas que constam no caderno reivindicativo deste sindicato, e manifestando disponibilidade para dialogar com a tutela.
“Será fundamental que o Governo reabra a mesa negocial no âmbito da contratação coletiva, urgente quanto à disciplina de trabalho médico, a organização dos serviços de urgência e à equiparação dos contratos individuais de trabalho com os contratos em função pública, com o pagamento a todos os orientadores de formação. Se tal não acontecer a contestação só irá aumentar, em vez de diminuir”, alertou.
Jorge Roque da Cunha aludiu ainda à s greves realizadas durante este ano, ressalvando que não foram “desejáveis”, mas “necessárias”.
“O sindicato independente dos médicos vai continuar a combater, mantendo a credibilidade e a mitigar os dados da demagogia e do radicalismos e do populismo”, atestou.
As negociações entre sindicatos dos médicos e o Ministério da Saúde iniciaram-se em 2022, mas até ao momento não houve acordo.
Desde então têm sido realizadas várias paralisações regionais e uma nacional.
Segundo o SIM, as propostas que constam no caderno reivindicativo sindical visam a criação de uma grelha salarial que “reponha a carreira das perdas acumuladas por força da erosão inflacionista da última década e que posicione com honra e justiça toda a classe médica, incluindo os médicos internos, na Tabela Remuneratória Única da função pública.”
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