
Caracas, 06 out 2023 (Lusa) — O opositor venezuelano Juan Guaidó acusou na quinta-feira o Governo de Caracas de “perseguir fÃsica e moralmente” a oposição, depois de o Ministério Público emitir um mandado de captura internacional contra si por vários crimes.
“É assim que funciona a máquina de promoção de mentiras da ditadura: a mentira póstuma para branquear a sua propaganda e perseguir fÃsica e moralmente a oposição venezuelana”, escreveu na rede social X (antigo Twitter).
Foi assim que Juan Guaidó, a residir nos Estados Unidos, reagiu à decisão do Ministério Público da Venezuela de emitir um mandado de captura internacional contra si, pelos crimes de traição à pátria, usurpação de funções, aproveitamento ou desvio de dinheiro, tÃtulos e bens públicos, branqueamento de capitais e associação criminosa.
Por outro lado, num vÃdeo divulgado na rede social Instagram, Guaidó questiona por que razão “só agora” é emitido um mandado de detenção contra si e desafia o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a apresentar-se no Tribunal Penal Internacional, em Haia, para determinar quem tem contas pendentes com a justiça internacional.
“Amanhã [hoje] daremos uma resposta formal, inclusive à solicitação de alerta vermelho da Interpol contra mim, (…) Apresentemo-nos amanhã em qualquer procuradoria deste paÃs – como sabem, estou nos Estados Unidos – ou, se preferires, noutra jurisdição, em Haia”, disse o opositor, dirigindo-se a Maduro.
Guaidó começou por explicar que está “no exÃlio” devido “à perseguição polÃtica da ditadura de Maduro, que foi denunciada ao Tribunal Penal Internacional” e à qual a Missão de Determinação dos Factos da ONU, que observa os Direitos Humanos, ratificou recentemente “como uma perseguição coletiva, não só da sociedade civil, mas também das organizações não-governamentais e dos partidos polÃticos”.
“No meu caso, como presidente do Parlamento, entre 2019 a 05 de janeiro deste ano, como presidente em exercÃcio”, explicou.
“E a pergunta é: Porquê neste momento? Porque é que a cobardia da ditadura não o fez antes? (…) Para continuar a tentar distorcer o que acontece no paÃs” disse Guaidó, explicando que faltam 17 dias para as primárias dos partidos da oposição, em que será eleito um candidato único à s presidenciais de 2024.
“Eu não permiti que me sequestrasses, não permitirei que me tires a voz e continuarei a denunciar-te em todos os lugares onde for possÃvel, como um criminoso”, acrescentou.
“Não há, portanto, qualquer possibilidade de meias medidas neste momento, a apenas 17 dias do fim do prazo, sabendo que não será efetivo qualquer mandado de captura contra mim. Não o fizeram [emissão do mandado] durante quatro anos por cobardia, mas fizeram-no contra a minha famÃlia, equipa de trabalho, contra o nosso partido polÃtico da oposição, numa tentativa de cercar e assassinar moral e fisicamente a oposição na Venezuela”, disse.
O Ministério Público da Venezuela emitiu, na quinta-feira, um mandado de captura internacional contra Juan Guaidó.
Guaidó é acusado de traição à pátria, usurpação de funções, aproveitamento ou desvio de dinheiro, tÃtulos e bens públicos, branqueamento de capitais e associação criminosa, disse o Procurador-Geral da Venezuela, Tarek William Saab, em conferência de imprensa, na sede do Ministério Público (MP), em Caracas.
Citando documentos do tribunal de Delaware, nos EUA, Saab explicou que Guaidó usou recursos da petrolÃfera estatal Petróleos da Venezuela SA (Pdvsa) em proveito próprio e “obrigou” uma filial da empresa a aceitar termos de refinanciamento que causaram “perdas à nação de 19 mil milhões de dólares” (cerca de 18,03 mil milhões de euros), o que “resultou na perda quase definitiva da Citgo”, empresa petrolÃfera venezuelana nos EUA.
Em janeiro de 2019, o então presidente do parlamento, Juan Guaidó jurou publicamente assumir as funções de presidente interino da Venezuela, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres no paÃs.
Guaidó foi reconhecido como presidente interino da Venezuela pelos Estados Unidos e recebeu o apoio de parte da comunidade internacional, de quase 60 paÃses, entre eles Portugal.
O governo interino foi dissolvido em janeiro, por decisão da maioria dos partidos da oposição, que o apoiavam.
O polÃtico abandonou a Venezuela em abril de 2023, para a Colômbia, de onde foi expulso, acabando por ir para os Estados Unidos.
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