
Maputo, 02 out 2023 (Lusa) — O ministro da Economia e Finanças moçambicano disse hoje que o Estado gastou cerca de 80 milhões de dólares (76 milhões de euros), desde 2019, com advogados, no julgamento do caso das dÃvidas ocultas em Londres.Â
“Desde o inÃcio do processo, em fevereiro de 2019, há custos acumulados na ordem de cerca de 80 milhões de dólares”, disse Max Tonela, durante uma conferência de imprensa conjunta com a Procuradoria-Geral da República de Moçambique, em Maputo.Â
Segundo Tonela, atualmente, o Estado moçambicano gasta cerca de 3,5 milhões de libras (quatro milhões de euros) por mês com os advogados.Â
Para o ministro da Economia e Finanças, o acordo extrajudicial alcançado no domingo com o grupo UBS sobre o financiamento da compra de barcos de pesca pelo Credit Suisse vai permitir a redução dos custos do julgamento para Moçambique.Â
“Há advogados contratados que defendem a causa de Moçambique e um dos objetivos do acordo é mitigar riscos, mas também assegurar custos mais baixos possÃveis, tendo em conta que não há previsibilidade de quanto tempo o processo de julgamento vai ainda decorrer e os custos associados”, frisou Max Tonela.Â
As autoridades moçambicanas referiram que foram contratados advogados britânicos para assistir o Ministério Público por se tratar de uma “ação que corre em praça jurisdicional estrangeira”.Â
“O Estado teve de identificar e contratar advogados, no caso concreto a ‘Peters and Peters’, de Londres, para assistir o Ministério Público nesta ação civil que foi intentada pelo Estado”, frisou o procurador-geral adjunto de Moçambique, Ângelo Matusse.Â
A República de Moçambique alega que as garantias dadas para os empréstimos bancários para a compra de navios de segurança marÃtima, barcos de pesca de atum e outro equipamento não devem ser consideradas válidas porque terão sido obtidas através da corrupção de altos funcionários do Estado. Â
Os empréstimos foram avalizados secretamente pelo Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) quando Armando Guebuza ainda era chefe de Estado, sem conhecimento do parlamento e do Tribunal Administrativo. Â
Moçambique quer anular as dÃvidas de milhões de dólares ao Credit Suisse, assim como obter compensação financeira pelos danos macrofinanceiros causados.
Ângelo Matusse esclareceu hoje que o acordo com o Grupo UBS não afeta os outros processos judiciais em curso relacionados à s dÃvidas ocultas, fazendo também menção ao recurso admitido pelo tribunal de Londres sobre a imunidade do Presidente Filipe Nyusi.Â
Como réus do processo estão também o antigo presidente da República Armando Guebuza, o seu filho mais velho, Armando Ndambi Guebuza, o antigo ministro moçambicano das Finanças Manuel Chang, o antigo diretor de Inteligência Económica do SISE António Carlos do Rosário e o antigo diretor dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE) Gregório Leão. Â
O caso, descoberto em 2016 e que ficou conhecido por “dÃvidas ocultas”, envolve contratos e empréstimos de mais de 2,7 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros), segundo o Ministério Público moçambicano, com os bancos Credit Suisse e VTB, entre 2013 e 2014.
O escândalo levou à suspensão de apoios internacionais, incluindo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que só retomou a ajuda financeira ao paÃs anos mais tarde. Â
LN (BM/ MBA) //Â MLL
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