
Seul, 25 set 2023 (Lusa) – A Coreia do Norte acusou hoje o Presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, de “difamar maliciosamente as relações” entre Pyongyang e Moscovo, no discurso que proferiu perante a Assembleia Geral da ONU.
“Foi simplesmente o cúmulo da ironia que o fantoche, desprovido de conhecimentos polÃticos elementares e de senso comum no que diz respeito à s relações internacionais, se tenha comportado de forma grosseira, agindo de bom grado como um servil trompetista e altifalante dos Estados Unidos”, de acordo com um artigo divulgado pela agência noticiosa estatal KCNA.
No discurso na ONU, Yoon afirmou que um acordo de armas entre os dois paÃses seria uma “grave provocação”.
“Yoon considerou as tradicionais relações de amizade e cooperação entre a RPDC [República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do paÃs] e a Rússia como uma ‘provocação direta à segurança e à paz’ na região fantoche sul-coreana e como um ‘grave desafio à paz regional e mundial’, afirmando que ‘Seul e os aliados não ficariam de braços cruzados'”, acrescentou.
O artigo insistiu depois na alegada falta de experiência polÃtica do Presidente sul-coreano, que antes era procurador-geral, no agravamento do clima regional através do aumento das operações militares com Washington, na falta de clareza nos assuntos diplomáticos e por “só reconhecer as relações entre Estados como uma dicotomia entre amigo e inimigo”.
“A polÃtica externa da RPDC, que tem como objetivo estabelecer uma nova ordem mundial justa e equitativa para a causa da independência humana, não estará ligada a nada e as relações de amizade e cooperação com os vizinhos próximos vão continuar a ser reforçadas”, concluiu o texto.
O discurso de Yoon na ONU foi uma resposta à recente cimeira entre o lÃder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente russo, Vladimir Putin, no cosmódromo de Vostochny, na região de Amur. No final do encontro, Putin afirmou que há espaço para a cooperação militar e espacial entre os dois paÃses.
Durante a visita de uma semana, Kim inspecionou o cosmódromo, uma fábrica de aviões militares e civis e de navios para a frota russa do PacÃfico. Dias antes, meios de comunicação social norte-americanos afirmaram que Kim estava disposto a apoiar a guerra de Moscovo na Ucrânia com milhões de mÃsseis antitanque e munições de artilharia.
De acordo com estas notÃcias, Pyongyang iria receber em troca ajuda alimentar e tecnologia de satélites e submarinos nucleares.
Seul, Tóquio e Washington alertaram que um possÃvel acordo entre a Coreia do Norte e a Rússia iria violar as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra Pyongyang, com consequências para os dois paÃses.
Entretanto, a Coreia do Sul e os Estados Unidos iniciaram hoje três dias de manobras militares em resposta à recente escalada retórica e militar da Coreia do Norte.
Nove navios de guerra, dois aviões de patrulha, dois submarinos sul-coreanos, o contratorpedeiro ROKS Yulgok Yi I, o contratorpedeiro USS Shoup e o cruzador USS Robert Smalls participam nestes exercÃcios, informou a agência de notÃcias sul-coreana Yonhap.
O aumento das tensões na penÃnsula coreana tem sido causado tanto pelos constantes lançamentos de mÃsseis e ameaças de Pyongyang, como pelos exercÃcios militares entre Washington e Seul.
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