
Erevan, 21 set 2023 (Lusa) — O primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinian, afirmou hoje que o cessar-fogo em vigor desde quarta-feira no território contestado do Nagorno-Karabakh entre os separatistas arménios e o Azerbaijão está a ser geralmente respeitado.
“O regime de cessar-fogo no Nagorno-Karabakh está a ser respeitado na generalidade, houve violações isoladas mas, de um modo geral, a situação é estável”, afirmou Pashinian num discurso transmitido pela televisão estatal arménia.
O chefe do executivo de Erevan acrescentou que a Arménia está preparada para receber 40.000 famÃlias de refugiados do enclave, onde separatistas arménios capitularam quarta-feira após uma ofensiva militar do Azerbaijão.
“Reservamos quartos nos hotéis e preparamos locais para as acolher. Estamos preparados para receber mais de 40.000 famÃlias” do enclave povoado maioritariamente por arménios, sublinhou Pashinian, que garantiu não haver “quaisquer ameaças diretas” à s populações civis de Nagorno-Karabakh.
“Hoje, a minha avaliação [da situação] é que não existe qualquer ameaça direta para a população civil de Nagorno-Karabakh”, afirmou.
Antes da intervenção do primeiro-ministro arménio na televisão, o gabinete de Pashinian indicou que não prevê de momento uma retirada em massa da população arménica do enclave de Nagorno-Karabakh, optando por aguardar pelo resultado das negociações sobre a reintegração do território separatista do Azerbaijão.
“As decisões serão tomadas em função da situação e do resultado das discussões”, indicou o gabinete do primeiro-ministro Nikol Pachinian segundo a agência noticiosa oficial Armenpress, acrescentando que “não foi colocada a questão da retirada” dos arménios do Nagorno-Karabakh que “têm o direito de viver nas suas casas”.
Em paralelo, e em comunicado, a presidência azeri definiu como “construtivas” as primeiras reuniões que hoje decorreram entre o Azerbaijão e a Arménia sobre a reintegração deste território secessionista.
Baku, que na quarta-feira impôs a capitulação aos separatistas após uma ofensiva militar “relâmpago” de 24 horas, acrescentou estar prevista uma nova reunião “o mais rapidamente possÃvel”.
A presidência azeri também indicou prever o envio de ajuda humanitária, alimentos e combustÃveis para a disputada região.
Os separatistas arménios de Nagorno-Karabakh anunciaram na quarta-feira que aceitavam depor as armas e negociar a reintegração no Azerbaijão da parte do território do sul do Cáucaso que controlavam.
A decisão ocorreu um dia depois de o Azerbaijão ter lançado uma operação militar no território azeri de população maioritariamente arménia, que os separatistas disserem ter causado duas centenas de mortos e mais de quatro centenas de feridos.
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