
Nações Unidas, 16 set 2023 (Lusa) – Os esforços para tornar o português uma das lÃnguas oficiais das Nações Unidas continuam em marcha e serão visÃveis na próxima semana, disse à Lusa a embaixadora de Portugal junto à Organização, destacando o investimento “financeiro imenso” exigido.
O tema está na agenda de Portugal há muitos anos, referiu Ana Paula Zacarias, e vários paÃses lusófonos têm continuado a insistir nele, com diversas iniciativas a promover o idioma junto da Organização.
Esses esforços serão visÃveis durante a semana de alto nÃvel da Assebleia-Geral da das Nações Unidas (ONU), que arranca na segunda-feira e na qual existe “uma anuência” entre os lÃderes da Comunidade dos PaÃses de LÃngua Portuguesa (CPLP) para comunicar em português, disse à Lusa Ana Paula Zacarias, numa entrevista em Nova Iorque a propósito do evento.
“Um dos principais aspetos que tem a ver com a defesa da lÃngua portuguesa (…) é o facto de os lÃderes polÃticos dos paÃses da CPLP que aqui vêm fazerem um esforço para falarem todos em português”, disse.
“Provavelmente não será em todas as reuniões, mas na grande maioria das reuniões e, sobretudo, no Debate Geral, há uma anuência de que vamos falar em português. Claro que para falar em português temos que ter tradutores próprios, porque o sistema das Nações Unidas não tem tradutores de português, mas isso já está assegurado”, acrescentou a embaixadora, que explicou que será feita a tradução para inglês e, posteriormente, para outras lÃnguas.
Apesar de não especificar valores, Ana Paula Zacarias salientou o “esforço financeiro imenso” para tornar “exequÃvel” o português como uma das lÃnguas oficiais da ONU.
Além disso, há “também a necessidade de verificar se os Estados-Membros estariam dispostos a que tal acontecesse”, observou.
“Estamos a trabalhar nesse sentido. (…) É um tema que mantemos na nossa agenda há muitos anos. Continuaremos a cuidar dele e continuaremos a insistir no facto de que seja dado ao português – que é uma lÃngua falada por tantos milhões de pessoas, uma lÃngua tão importante também para os paÃses do Sul global – o valor que efetivamente tem como lÃngua de trabalho, como deveria ser aqui nas Nações Unidas”, afirmou Ana Paula Zacarias.
Para a representante permanente de Portugal junto à ONU, o português “merece a devida atenção” por ser a “lÃngua de comunicação de muitos paÃses”, uma lÃngua falada “em todos os continentes” e que está a ser aprendida em diversos Estados.
O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu no mês passado, na cimeira de São Tomé, que a CPLP proponha o português como lÃngua oficial da ONU.
“Temos de aproveitar que temos um secretário-geral das Nações Unidas que fala português [António Guterres] e acho que nós deverÃamos entrar com informações e um pedido nas Nações Unidas para que a lÃngua portuguesa seja transformada em lÃngua oficial das Nações Unidas”, propôs Lula da Silva na ocasião, recebendo aplausos dos presentes.
No final de março, o Tribunal Centro-Americano de Justiça já havia proposto ao Conselho de Segurança da ONU incorporar o português como idioma oficial da organização, a par do inglês, espanhol, francês, chinês, russo e árabe.
Esse tribunal regional entende que, com base na resolução de 2017 da Assembleia-Geral sobre a cooperação da CPLP com as Nações Unidas e o facto de ser lÃngua oficial da Conferência Geral da UNESCO, existe uma base legal para fazer uma solicitação ao Conselho de Segurança para incorporação do português como lÃngua oficial da ONU e, posteriormente, aprova-la na Assembleia-Geral.
A lÃngua portuguesa não só é uma das lÃnguas mais difundidas no mundo, com mais de 260 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a lÃngua mais falada no hemisfério sul, segundo dados da UNESCO.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e PrÃncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP.
MYMM (JH) // ANP
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