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Palmela, Setúbal, 12 set 2023 (Lusa) — A coordenadora das Comissões de Trabalhadores (CT) do Parque Industrial da Autoeuropa admitiu hoje que o “Governo poderá ajudar a reverter alguns despedimentos” resultantes da paragem de produção na fábrica de Palmela, mas advertiu que tudo depende das empresas.
  A posição das CT foi expressa pelo coordenador Daniel Bernardino após a reunião realizada hoje com a ministra do Trabalho e outros membros do Governo, na sequência do despedimento de centenas de trabalhadores de diversas empresas do parque industrial, face à anunciada paragem de produção da Autoeuropa, de 11 de setembro a 12 de novembro.
  “SaÃmos da reunião com alguma esperança de que será possÃvel reverter alguns dos postos de trabalho perdidos, com a colaboração do Governo, das empresas e da coordenadora das CT”, disse à agência Lusa Daniel Bernardino.
 “Mas, se as empresas não quiserem fazer parte da solução, o Governo também não vai encontrar grandes soluções”, acrescentou o representante dos trabalhadores, reiterando que a ajuda governamental “depende da vontade de cada uma das empresas em manter os postos de trabalho em causa”.
 Daniel Bernardino esclareceu ainda que, até hoje, terça-feira, a coordenadora das CT já teve conhecimento de um total de 425 despedimentos de trabalhadores temporários, e não 434 como foi referido anteriormente.
  Destes 425 trabalhadores temporários despedidos, 100 são da Autoeuropa e têm o regresso ao trabalho garantido logo que seja retomada a produção, mas a maioria dos restantes trabalhadores despedidos não sabe ainda se irá manter os postos de trabalho. Dos 425 despedimentos de trabalhadores temporários, 134 tiveram lugar nas  empresas Novacoat e Rangel e só hoje foram confirmados á coordenadora das CT.
   Na segunda-feira o secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, garantiu à agência Lusa que o Governo já estava a trabalhar em diversas soluções para minimizar o impacto, para trabalhadores e empresas fornecedoras, face à paragem de produção de nove semanas na Autoeuropa.
   “Já temos um conjunto de iniciativas previstas para responder à s diferentes situações, seja mobilizando instrumentos de formação profissional, a que os trabalhadores possam, por via das empresas, recorrer enquanto esta paragem estiver a acontecer, seja facilitando as prestações sociais a que porventura tenham direito, para que possam ser processadas da forma mais ágil possÃvel”, disse o secretário de Estado do Trabalho, lembrando que no paÃs, além das 19 empresas do parque industrial, há mais 86 empresas fornecedoras da fábrica da Volkswagen em Palmela.
  A coordenadora das CT do parque industrial da Autoeuropa tem nova reunião marcada com representantes dos ministérios do Trabalho e da economia para as 17:00 da próxima terça-feira, dia 19 de setembro.
  A Autoeuropa foi forçada a uma paragem de produção de nove semanas devido à s dificuldades de um fornecedor da Eslovénia, que foi fortemente afetado pelas cheias que ocorreram naquele paÃs no inÃcio passado mês de agosto.
  O grupo Volkswagen está a desenvolver esforços para que seja possÃvel retomar a produção na Autoeuropa com a maior brevidade possÃvel, mas até agora a data anunciada para voltar à produção de automóveis na fábrica de Palmela, no distrito de Setúbal, continua a ser o dia 12 de novembro.
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Lusa/Fim
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