
Londres, 10 set 2023 (Lusa) — Um assessor do parlamento do Reino Unido foi detido em março por suspeitas de espionagem para a China, revelou no sábado a PolÃcia Metropolitana, responsável pela região de Londres.
“Agentes do Serviço de PolÃcia Metropolitana detiveram dois homens em 13 de março sob suspeita de crimes” referentes à Lei de Segredos Oficiais de 1911, um na região de Oxford, no sudeste de Inglaterra e o outro em Edimburgo, capital da Escócia, confirmou a polÃcia.
Os dois homens foram libertados sob fiança.
De acordo com a imprensa britânica, o segundo homem trabalhava no parlamento do Reino Unido e teve contacto com deputados do Partido Conservador, atualmente no poder.
Entre eles estavam o ministro da Segurança, Tom Tugendhat, e Alicia Kearns, a presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Comuns, a câmara baixa do parlamento.
O suspeito trabalhou em polÃtica internacional, nomeadamente nas relações com Pequim, e já trabalhou na China.
O caso está a ser investigado por agentes do Comando Antiterrorista da PolÃcia Metropolitana.
A Aliança Interparlamentar para a China, que reúne dezenas de deputados de vários paÃses, disse estar “chocada com as notÃcias de infiltração no Parlamento do Reino Unido por alguém supostamente agindo em nome da República Popular da China”.
Em Julho, a Comissão de Inteligência e Segurança da Câmara dos Comuns alertou num relatório que os serviços secretos chineses estão a interferir de “forma prolÃfica e agressiva” com o Reino Unido.
A China conseguiu “penetrar com êxito em todos os setores da economia do Reino Unido” e “não é difÃcil detetar” a interferência do governo chinês em vários setores, desde as universidades à energia nuclear, sublinhou o documento.
No ano passado, a inteligência britânica acusou Christine Lee de “se envolver em atividades de interferência polÃtica em nome do Departamento Frente Unida”, uma organização responsável pelo desenvolvimento de ligações entre o Partido Comunista Chinês e entidades estrangeiras.
De acordo com o MI5, ela desempenhou o papel de intermediária, ao fazer “doações financeiras a partidos polÃticos, deputados, aspirantes a deputados e pessoas que concorriam a cargos polÃticos no Reino Unido”, em nome de cidadãos da China e de Hong Kong.
Christine Lee é suspeita de ter doado centenas de milhares de libras esterlinas a Barry Gardiner, um ex-lÃder do Partido Trabalhista, bem como ao próprio partido.
A suposta agente foi também fotografada com o ex-primeiro-ministro conservador David Cameron, em 2015, e, noutra ocasião, com o ex-lÃder trabalhista Jeremy Corbyn.
Em 2019, Christine Lee foi condecorada pela primeira-ministra conservadora Theresa May pela sua contribuição para as boas relações entre o Reino Unido e a China.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China garantiu respeitar o princÃpio de não-ingerência nos assuntos de outros paÃses.
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