
Lisboa, 09 set 2023 (Lusa) — O sismólogo João Duarte Fonseca antevê que, pelas imagens que se conhecem do terramoto que abalou Marrocos, o número de fatalidades “suba significativamente” nos próximos dias, realçando que os edifÃcios afetados eram “bastante vulneráveis”.
Em declarações à Lusa, o professor auxiliar do Instituto Superior Técnico assinala que, “durante 48 horas, é normal que os números vão aumentando”, em resultado da informação que for sendo recolhida no terreno, recordando que se trata de “uma zona montanhosa e agrÃcola”.
O sismo registado na sexta-feira à noite em Marrocos — e que, segundo o último balanço oficial, já causou 820 mortos e 672 feridos — é “bastante raro”, nota o especialista, explicando que “não é uma magnitude comum a sul de Marrocos”, onde “a atividade sÃsmica é mais intensa a norte”, na zona do golfo de Cádis, onde se sabe que “ocorreram grandes terramotos no passado, como o terramoto de Lisboa em 1755”.
O terramoto aconteceu numa zona de convergência entre as placas tectónicas africana e euro-asiática, que, noutras áreas, “são bastante estáveis”, mas que, nesta localização, apresentam “deformação distribuÃda ao longo de centenas de quilómetros”.
Para João Duarte Fonseca, há uma “lição” a retirar desta tragédia. “É que, mesmo sendo raros, estes eventos acontecem e, portanto, é fundamental estar preparado para quando eles ocorrem”, frisa.
Estar preparado — concretiza — passa “essencialmente” pelo ordenamento do território e por uma “escolha criteriosa dos locais para construir as infraestruturas mais crÃticas, como hospitais, quartéis de bombeiros, etc.”, para assim “reduzir o risco” de sismos.
“Não conseguimos reduzir a probabilidade de que o sismo ocorra, mas conseguimos mitigar os seus impactos prováveis”, esclarece, acrescentando a importância de adotar também “códigos de construção antissÃsmica exigentes”.
Ora, no caso de Marrocos, pelas imagens que o sismólogo observou, “os edifÃcios afetados são de construção tradicional”, sem recurso ao betão armado, material “que aumenta muito a segurança”, e, por isso, “bastante vulneráveis”.
O último balanço oficial do terramoto que atingiu Marrocos na sexta-feira à noite subiu para 820 mortos e 672 feridos, dos quais 250 graves.
A provÃncia com mais vÃtimas registadas é Al Haouz, a sul de Marraquexe e próxima do epicentro, com 394 mortos, segundo o balanço até à s 10:00 locais (mesma hora em Lisboa), citado pela agência espanhola EFE.
Segue-se Taroudant (271 mortos), Chichaoua (91), Ouarzazate (31), Marraquexe (13), Azilal (11), Agadir (5), Casablanca (3) e Al Youssufia (1).
De acordo com o Instituto Nacional de GeofÃsica de Marrocos, o sismo atingiu a magnitude 7,0 na escala de Richter e ocorreu na região de Marraquexe (norte) à s 23:11, a uma profundidade de oito quilómetros.
O epicentro foi na localidade de Ighil, situada a cerca de 80 quilómetros a sudoeste de Marraquexe.
O forte sismo foi sentido em Portugal e Espanha.
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