PM timorense pede à Austrália apoio para reforçar resiliência económica

Jacarta, 06 set 2023 (Lusa) — O primeiro-ministro timorense apelou hoje ao seu homólogo australiano para que Camberra mantenha o apoio a Timor-Leste, permitindo concretizar os esforços de consolidação económica e da passagem de “fragilidade a resiliência”.

“O nosso grande objetivo é desenvolver a economia. Depois de duas décadas o nosso povo ainda chora, a perguntar o que significou a independência, só alguns em boas posições e os que lutaram e sofreram não têm melhorias. Por isso, nos próximos cinco anos, vamos centrar-nos na economia, levar a economia as zonas remotas, focar na educação e saúde”, disse Xanana Gusmão a Anthony Albanese, em Jacarta.

“Confio que nos podem ajudar nesta tarefa. Esta é a primeira vez que nos encontramos enquanto primeiro-ministro, mas podemos dizer que esperamos todo o vosso apoio para a concretização da nossa visão e os nossos planos nestes cinco anos”, sublinhou.

Gusmão e Albanese reuniram-se à margem dos encontros da 43ª. Cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), bloco onde Timor-Leste tem estatuto de observador e do qual espera ser membro de pleno direito em 2025.

O encontro bilateral é primeira reunião dos dois líderes desde que assumiram o cargo de chefes do Governo, apesar de ambos se conhecerem há décadas e do próprio Albanese ter apoiado, ainda jovem, a luta pela autodeterminação de Timor-Leste.

Albanese começou por “insistir em congratular” Gusmão, que classificou como um “grande amigo” e alguém porque quem teve “uma grande admiração ao nível pessoal, como admiração pelo povo de Timor-Leste”.

“A sua eleição como primeiro-ministro é algo que é certamente bem-vindo por mim, consolidando Timor-Leste como uma importante democracia na região. A Austrália será o melhor parceiro que pudermos ser com Timor-Leste”, afirmou o chefe do Executivo australiano.

“Um parceiro que ouvirá as vossas prioridades, que estará ao vosso lado, agora e no futuro. Estamos empenhados em apoiar os vossos esforços de diversificação económica. Sabemos que isso é importante para vocês”, vincou.

Albanese referiu-se, entre outros aspetos, à recente ampliação do seu programa de trabalho sazonal, que permitiu já que milhares de timorenses fossem trabalhar para a Austrália.

“Estamos preparados para trabalhar convosco nos vossos esforços de assegurar o vosso futuro”, disse.

Gusmão agradeceu o apoio dado pela Austrália e, pessoalmente, pelo próprio Albanese, “que tem Timor-Leste no coração”, em particular pelo que considera ser a forma como Camberra tem atuado para mudar a forma como os dois países se veem.

“Como um novo país ainda somos considerados um Estado frágil, o que é normal. E num Estado frágil temos de consolidar as instituições do Estado, a lei”, explicou Gusmão.

“Por isso este novo Governo, ao longo do mandato, vamos procurar corrigir o que faz o Estado frágil, passar da fragilidade para a resiliência, ajudando a deixar algumas lições às gerações mais jovens para que evitem alguns dos erros dos mais velhos”, disse o primeiro-ministro timorense.

Já depois da saída dos jornalistas, e segundo fontes da delegação timorense, o diálogo manteve-se num “tom muito positivo”, com vários assuntos a serem debatidos, incluindo referências ao desenvolvimento dos campos de petróleo do Greater Sunrise.

Em entrevista à Lusa esta semana, Gusmão mostrou-se otimista sobre eventuais soluções, na primeira metade de 2024, para o projeto, que aguarda nas próximas semanas um estudo sobre as várias opções de desenvolvimento, pedido pelo consórcio que gere o Greater Sunrise, onde a petrolífera timorense TIMOR GAP detém a maioria do capital.

“Estou otimista num acordo no início de 2024. Estou confiante com este novo Governo australiano”, disse Gusmão.

 

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