
Luanda, 05 set 2023 (Lusa) — O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) disse hoje que muitas instituições privadas do ensino superior “dispensam” o rigor exigido no acesso dos estudantes e facilitam a sua entrada com “testes pré-elaborados” que “não avaliam a sua aptidão”.Â
O presidente do MEA, Francisco Teixeira, disse à Lusa que a lei de acesso à s universidades privadas impõe um teste rigoroso aos candidatos e só após a aprovação é que estes devem fazer as inscrições, um procedimento que, afirmou, tem sido violado pelas instituições.Â
“O que temos notado em algumas universidades é que há umas que fazem os testes e dão já assim aos seus alunos com as questões respondidas e algumas têm dado folhas limpas, mas com as perguntas já nos rascunhos”, declarou.Â
Segundo o lÃder estudantil, a busca pelo lucro faz com que as referidas instituições façam os testes, na fase de ingresso, sem qualquer rigor para avaliar o nÃvel de aptidão dos candidatos.Â
“Como os privados têm como principal objetivo o lucro, estas sentem-se no direito de não reprovarem ninguém, de não questionarem a capacidade dos estudantes e dão o acesso direto”, realçou.Â
O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) angolano anunciou, na segunda-feira, que vai averiguar “de imediato” denúncias sobre “práticas inadequadas” que comprometem “a seriedade do processo de acesso” e a idoneidade das instituições do ensino superior e sancionar os implicados. Â
A entidade ministerial afirmou, em comunicado de imprensa, que se registaram em algumas instituições do ensino superior, no ano académico 2022-2023, situações de incumprimento das regras do acesso aos cursos de ensino superior, tendo sido aplicadas medidas sancionatórias.Â
Segundo o MESCTI angolano, em relação ao acesso para o ano académico 2023-2024, têm chegado informações sobre “práticas inadequadas e anomalias” que “colocam em causa a seriedade do processo de acesso e a idoneidade” das instituições do setor. Â
Francisco Teixeira aplaudiu a medida do Ministério, considerando a decisão acertada, sobretudo pelo compromisso de agir antes do inÃcio do ano académico 2023-2024, contrariamente à posição tomada a meio do último ano académico. Â
“Penso que a medida do Ministério é acertada, porque no ano passado agiu no meio do ano e prejudicou milhares e milhares de estudantes. Este ano o Ministério antecipou-se perante o ensino privado no sentido de observarem a lei de acesso à s universidades privadas”, afirmou.Â
Para o presidente do MEA, as irregularidades constatadas pelo MESCTI “têm manchado o bom nome de Angola no exterior” e também contribuem para que o paÃs continue em nÃveis inferiores no ‘ranking’ mundial das universidades.Â
“Está de parabéns o Ministério, pela forma como tem fiscalizado as universidades, faculdades privadas, está de parabéns por se antecipar a este fenómeno”, rematou.Â
DYAS //Â MLL
Lusa/FimÂ
Â



