
Roma, 09 ago 2023 (Lusa) – A redistribuição de uma “pequena parte” dos lucros milionários obtidos pelos bancos devido à s “decisões “erradas do Banco Central Europeu (BCE) é “um dever económico e social”, afirmou hoje Matteo Salvini, vice-presidente do Governo italiano.
“Com o imposto extraordinário queremos confirmar o aumento dos salários e das pensões também para o próximo ano”, disse Salvini em declarações à rádio pública Rai, um dia depois de o setor bancário ter perdido cerca de 9.000 milhões de euros na bolsa devido aos receios gerados pelo novo imposto de 40% sobre os lucros extraordinários das instituições de crédito anunciado de surpresa na passada segunda-feira.
As receitas deste imposto “vão chegar aos que têm hipotecas que estão a aumentar desproporcionadamente devido à taxa variável e vão acabar na lei orçamental, dentro de algumas semanas, para confirmar a descida dos impostos e o aumento dos salários”, explicou o lÃder da Liga, que faz parte da coligação governamental presidida pela extrema-direita Giorgia Meloni.
“O raciocÃnio do Governo é que, dos lucros mais elevados que os bancos terão este ano, em comparação com o ano passado, simplesmente devido à s polÃticas erradas do BCE, uma parte será utilizada para ajudar as famÃlias e confirmar os aumentos salariais”, acrescentou.
E, acrescentou, apesar de “alguns banqueiros o terem lamentado, o setor que obtém milhares de milhões de euros de lucros sem mexer um dedo em virtude das decisões dos outros. Redistribuir uma pequena parte é um dever económico e social”.
Salvini lembrou que os bancos italianos “aumentaram os custos para quem tem um empréstimo, um descoberto ou uma hipoteca, mas não aumentaram os juros para quem tem dinheiro nas suas contas correntes”.
Os bancos “foram rápidos (a adaptar-se à s decisões do BCE), mas não aumentaram os juros das contas à ordem. Têm lucros de milhares de milhões e quem paga são os italianos. Enquanto Governo, pensámos que os lucros mais elevados resultantes das polÃticas erradas do BCE iriam para as famÃlias com hipotecas e para confirmar os aumentos salariais e das pensões nos seus recibos de vencimento.
E revelou: “Estamos a pensar em tributar as horas extraordinárias, os prémios de produtividade”.
Na segunda-feira, o Governo italiano aprovou a criação de um imposto de 40% sobre os lucros extraordinários dos bancos, limitado aos anos de 2022 e 2023, que – disse na altura – não poderá exceder 25% do património lÃquido e cujas receitas serão inteiramente utilizadas para “apoiar a compra de hipotecas e a redução de impostos”.
A regra será ativada se a margem lÃquida de juros registada em 2022 “exceder o valor do exercÃcio de 2021 em pelo menos 5%”, uma percentagem que subirá para 10% se 2023 for comparado com o ano anterior, referiu o Governo.
O receio gerado entre bancos e acionistas levou o Governo a anunciar, na terça-feira ao final do dia, um limite máximo de 0,1% do total dos ativos, o que, segundo a imprensa especializada, poderá significar um pagamento de 2.500 milhões de euros para os seis maiores bancos italianos no primeiro semestre de 2023.
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