
BrasÃlia, 01 ago 2023 (Lusa) — O ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Flávio Dino, criticou a atuação da polÃcia numa operação que deixou pelo menos dez mortos no fim de semana, no litoral do estado de São Paulo.
Flávio Dino indicou que “houve uma reação imediata que não parece, no momento, ser proporcional ao crime cometido”, referindo-se ao assassÃnio de um agente da PolÃcia Militar, que levou à operação policial na cidade do Guarujá.
O governador do estado de São Paulo tinha defendido na segunda-feira a operação. “A polÃcia reage e vai reagir para repelir a ameaça”, declarou TarcÃsio de Freitas, numa conferência de imprensa.
“As imagens das câmaras vão poder demonstrar se houve o que o governo do estado denunciou, ou seja, uma reação a ataques, ou se houve de fato um descumprimento da lei”, disse Flávio Dino.
O responsável pediu ao Ministério Público de São Paulo que solicite as imagens.
A operação começou na sexta-feira, um dia após o assassÃnio do agente da PolÃcia Militar Patrick Bastos, de 30 anos, que foi morto numa favela de Guarujá enquanto fazia uma patrulha de rotina.
As autoridades do governo regional de São Paulo mobilizaram uma equipa de 600 agentes do litoral paulista e iniciaram a operação que, segundo o governador TarcÃsio de Freitas, vai continuar.
A chamada Operação Escudo deverá prolongar-se durante um mês e envolver 15 batalhões especiais e brigadas de assalto e cerca de três mil agentes da PolÃcia Militar e da PolÃcia Civil de São Paulo.
A operação levou à detenção de 10 pessoas, entre elas o suspeito de atirar contra Patrick Bastos, identificado como Erickson David da Silva, que teria ligação a um grupo de traficantes da região.
No domingo, o investigador de denúncias da polÃcia de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, referiu que o número de mortos subiu para pelo menos 10 pessoas. Ele também citou denúncias feitas por organizações de defensores dos direitos humanos e moradores do Guarujá, municÃpio onde ocorreram os factos, sobre ameaças e torturas que teriam sido realizadas por agentes de segurança.
“Este Gabinete tomou conhecimento das denúncias, já instaurou um processo e tomou medidas contra as instituições do Estado e da sociedade civil. Estamos a refletir juntos sobre as formas de travarmos as violações que estão a ocorrer”, disse Aparecido da Silva.
Apesar da captura do suspeito e de outras nove pessoas, moradores do municÃpio disseram que os militares estão a torturar e a matar “todo mundo” e que prometeram matar mais 60 pessoas em várias favelas da cidade, segundo a imprensa local.
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