
DÃli, 26 jul 2023 (Lusa) — O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje, em DÃli, a necessidade de reforçar o ensino do português em Timor-Leste, considerando que a lÃngua “faz a identidade” do paÃs do Sudeste Asiático.
Num discurso perante dezenas de alunos do Externato São José, o chefe de Governo destacou a importância da lÃngua portuguesa em Timor-Leste, o único paÃs lusófono no continente asiático.
O português “não é só mais uma lÃngua, é a lÃngua que faz a diferença”, defendeu António Costa. “É esta diferença que reforça a identidade de Timor-Leste, faz a identidade de Timor-Leste”, acrescentou.
“Foi essa identidade que fez com que na luta armada, na ação diplomática, ou no trabalho cultural e educativo, tenham resistido ao invasor e recuperado a liberdade e a independência”, disse o primeiro-ministro, referindo-se à ocupação indonésia, entre 1975 e 1999.
Horas antes, António Costa tinha colocado flores na Cruz dos Mártires, no cemitério de Santa Cruz, numa homenagem à s mais de 300 vÃtimas mortais do massacre de 12 de novembro de 1991, durante a ocupação indonésia.
O primeiro-ministro defendeu ser “muito importante que este ensino da lÃngua [portuguesa] prossiga e que se desenvolva”.
Na terça-feira, António Costa tinha confirmado o apoio ao alargamento do projeto bilateral dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) — financiado conjuntamente por Portugal e Timor-Leste — a todos os postos administrativos no paÃs.
O primeiro-ministro prometeu ainda reforçar o apoio à Escola Portuguesa de DÃli, instituição que visitou hoje, no último dia da primeira visita oficial de um chefe de Governo estrangeiro desde a tomada de posse do novo executivo timorense, a 01 de julho.
No discurso de tomada de posse, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, disse querer, no primeiro ano de governação, ampliar o projeto dos CAFE a todos os postos administrativos no paÃs “e a capacitar nessa matéria os professores timorenses”.
A acompanhar António Costa na primeira visita oficial a Timor-Leste como primeiro-ministro esteve a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e também o ministro dos Negócios Estrangeiros.
João Gomes Cravinho disse hoje à Lusa que a “convergência entre aquelas que são as prioridades do Governo timorense e aquelas que são as mais-valias portuguesas, que vão passar, seguramente, (…) por um renovado ênfase na lÃngua, no ensino, na formação”.
Nos “próximos dois ou três meses”, disse o chefe da diplomacia portuguesa, os dois paÃses vão começar a negociar um novo quadro da cooperação estratégica entre 2024 e 2028.
A cooperação deverá apostar também “na descoberta de novas oportunidades (…) no quadro da economia azul”, disse João Gomes Cravinho.
Na terça-feira, Xanana Gusmão tinha dito que Timor-Leste quer “colher da experiência, conhecimento e inovação dos portugueses” para desenvolver uma economia do mar sustentável.
António Costa iniciou o segundo e último dia da visita no Parlamento Nacional, atualmente presidido por Fernanda Lay, a primeira mulher a ocupar o cargo em Timor-Leste.
A agenda do primeiro-ministro português incluiu a inauguração das novas instalações do Centro de LÃngua Portuguesa na Universidade Nacional Timor Lorosa’e.
*** VÃtor Quintã (texto) e João Carreira (vÃdeo), da agência Lusa ***
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