
Pemba, Moçambique, 17 jul 2023 (Lusa) – O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) entregou hoje às autoridades da província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, material para piscicultura destinado às famílias afetadas pela guerra.
“Estamos aqui para dar suporte a toda a cadeia de produção pesqueira, desde a construção de barcos, processamento até à cadeia final de produção, na província” disse Yassine Ayob, chefe do escritório da UNOPS na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado.
O gesto consistiu na doação de 12 carrinhas de mão, 15 enxadas de cabo longo, 20 pás, três cordas de 100 metros cada, 46 tubos, seis cotovelos e seis facas.
Também foram entregues 12 picaretas, 12 máquinas de capinagem, três martelos, seis catanas, três serrotes, 30 folhas de serra e 15 colas para abertura e revitalização de tanques piscícolas naqueles locais.
O material vai beneficiar famílias acolhidas nos distritos de Montepuez, Balama e Chiúre, depois de terem sido obrigadas a fugir dos ataques armados em Cabo Delgado.
O governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, disse, após receber o material, que o mesmo vai ajudar a reduzir a desnutrição e fome no seio das famílias deslocadas e de acolhimento.
“Esperamos com esses materiais a revitalização da atividade piscícola para o aumento da produção e da produtividade de pescado em cativeiro, para incrementar a diversificação da dieta alimentar e contribuir para eliminação da fome e desnutrição”, disse Tauabo.
A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.
A insurgência levou a uma resposta militar desde Julho de 2021 com apoio do Ruanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projectos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.
O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.
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