
Lisboa, 14 jul 2023 (Lusa) – O presidente do Chega criticou hoje o plano de mobilidade para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e considerou que o Governo deveria distribuir apoios aos comerciantes afetados pelos condicionamentos de trânsito.
Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Ventura considerou que este plano, “de fraca qualidade”, foi apresentado “em cima da hora” e disse que já deveria ter sido conhecido desde “final de abril” para “dar tempo de preparação”.
“O Governo tinha-se comprometido em apresentar antes, tinha todas as condições políticas, logísticas e de planeamento para apresentar este plano com o tempo que merecia ter sido apresentado”, defendeu, acusando o executivo de um “amadorismo inacreditável”.
Apontando que “cerca de 25% dos peregrinos chegarão de automóvel” à JMJ, Ventura considerou que, a este nível, o planeamento é “quase inexistente” e que o “Governo não apresenta uma solução viável para o estacionamento”.
“Podem esperar caos, confusão e desorganização”, disse.
André Ventura considerou também que não existiu “articulação com as autarquias” e pediu que sejam ouvidas “instituições importantes que vão ter um papel decisivo, como a Liga dos Bombeiros”, e que seja elaborado um “plano de apoio a moradores e comerciantes que vão ter as suas vidas altamente afetadas neste período”.
O presidente do Chega alegou que “tudo aponta para que possa correr mal”, afirmando temer uma “crise de mobilidade”.
André Ventura acusou ainda o Governo de “não ter simpatia e empatia por quem vive ou tem negócios nas zonas da JMJ” e defendeu que deveriam ser distribuídos apoios às “atividades que terão de encerrar” ou que vão ficar condicionadas.
O líder do Chega pediu um “apoio especial ao comércio, restauração e lojistas, durante este período” da JMJ, equivalente aos lucros que teriam nos “dias que estão encerrados”, sustentando que “há almofada financeira para isso”.
O plano de mobilidade para a JMJ, hoje conhecido, prevê a disponibilização de mais 354.000 lugares em cada dia útil e mais 780.000 lugares nos dias do fim de semana nos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa.
De acordo com este plano, os “elevados fluxos pedonais, bem como a necessidade de acomodar o estacionamento de autocarros de aluguer de peregrinos” na cidade de Lisboa durante os dias da jornada, podem condicionar a circulação automóvel em algumas artérias da cidade.
Mais de um milhão de pessoas são esperadas em Lisboa para a JMJ, com o Papa Francisco, de 01 a 06 de agosto.
O Papa, primeiro a inscrever-se na JMJ, chega a Lisboa no dia 02 de agosto, tendo prevista uma visita de duas horas ao Santuário de Fátima no dia 05 para rezar pela paz e pelo fim da guerra na Ucrânia.
Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a jornada nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso de um encontro com jovens em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.
As principais cerimónias da jornada decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures, e no Parque Eduardo VII, no centro da capital.
FM (MCL) // JPS
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