
Cairo, 13 jul 2023 (Lusa) — O Egito e a Etiópia concordaram hoje retomar as negociações para concluir o acordo entre os dois paÃses e o Sudão sobre a água que vai encher a controversa barragem etÃope no Nilo Azul, suspensas devido a desacordos.
O Presidente egÃpcio, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro etÃope, Abiy Ahmed, anunciaram, numa declaração conjunta, que consideram que o enchimento unilateral da barragem representa uma ameaça à segurança hÃdrica dos seus paÃses.
Cairo e Adis Abeba concordaram, por isso, iniciar as conversações juntamente com o Sudão para estabelecer “as regras” sobre o processo de enchimento.
Este acordo deverá ser finalizado “dentro de quatro meses”, segundo a nota.
Enquanto decorrerem as negociações, Adis Abeba compromete-se a que o encher da barragem para produção hidrelétrica “não cause danos significativos ao Egito e ao Sudão, e que atenda à s necessidades de água de ambos os paÃses”.
A Etiópia considera a construção da chamada Grande Barragem do Renascimento EtÃope (GERD) vital para a sua economia, enquanto o Egito e o Sudão temem que afete os nÃveis de água do rio Nilo nas suas respetivas secções e exigem que Adis Abeba deixe de a encher até que se chegue a um acordo sobre os mecanismos para o fazer.
Em 2015, os três paÃses selaram um acordo estabelecendo que a barragem não deve afetar a economia, o fluxo do rio e a segurança alimentar de nenhum deles.
No entanto, as negociações que decorreram desde então não conseguiram chegar a um acordo, e o Egito e o Sudão acusaram o Governo etÃope de ter levado a cabo as sucessivas fases de enchimento unilateralmente, sem um compromisso sobre mecanismos para evitar possÃveis efeitos na quantidade de água que lhes chega.
Al-Sisi e Ahmed reuniram-se hoje no Cairo, à margem de uma cimeira dos paÃses vizinhos do Sudão, realizada para tentar pôr fim ao conflito que opõe, desde 15 de abril, o Exército sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido.
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