
Lisboa, 10 jul 2023 (Lusa) — O movimento das placas tectónicas da Terra desencadeia indiretamente explosões de biodiversidade em ciclos de 36 milhões de anos ao forçar o nÃvel do mar a subir e descer, mostrou uma investigação cientÃfica divulgada hoje.
Os resultados obtidos pela equipa de investigadores, que inclui geocientistas da Universidade de Sydney , têm por base “a descoberta de ciclos surpreendentemente semelhantes nas variações do nÃvel do mar, nos mecanismos internos da Terra e nos registos fósseis marinhos”, refere um comunicado da universidade australiana sobre a investigação.
Aqueles ciclos de mudanças no nÃvel do mar têm um impacto significativo na diversidade de espécies marinhas pelo menos desde há 250 milhões de anos.
À medida que os nÃveis de água sobem e descem, diferentes ‘habitats’ nas plataformas continentais e em mares rasos expandem-se e contraem-se, criando oportunidades para que os organismos se desenvolvam ou morram.
No trabalho, publicado no boletim cientÃfico Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas demonstraram, através do estudo do registo fóssil, que aquelas mudanças desencadeiam o surgimento de novas formas de vida.
“Do ponto de vista tectónico, o ciclo de 36 milhões de anos marca alterações entre a expansão mais rápida e mais lenta do fundo do mar, levando a profundas mudanças cÃclicas nas bacias dos oceanos e na transferência de água para as profundezas da Terra”, diz Dietmar Müller, da Escola de Geociências da Universidade de Sydney e coautor do estudo, citado no comunicado.
“Estas, por sua vez, levaram a variações na inundação e secagem dos continentes, com perÃodos de vastos mares pouco profundos fomentando a biodiversidade”, indica, considerando que “a investigação contraria ideias anteriores sobre porque é que as espécies mudaram ao longo do tempo”
Segundo o cientista, a formação geológica Winton do perÃodo Cretáceo localizada no estado de Queensland, no nordeste da Austrália é um “excelente exemplo” de como as mudanças no nÃvel do mar moldaram os ecossistemas e influenciaram a biodiversidade na Austrália.
À medida que o nÃvel do mar subia e descia, a inundação do continente criou recantos ecológicos em expansão e contração em mares pouco profundos, proporcionando ‘habitats’ únicos para uma ampla variedade de espécies.
PAL // JMR
Lusa/fim



