
São Tomé, 06 jul 2023 (Lusa) –As autoridades são-tomenses e portuguesas assinalaram hoje o fim da missão de mais de cinco anos do navio português NRP Zaire em São Tomé, considerada como um sucesso na cooperação bilateral entre paÃses lusófonos na segurança marÃtima.
“A missão do NRP Zaire que agora termina teve na sua génese uma visão comum entre os nossos dois paÃses sobre a imperativa necessidade de segurança marÃtima na região do Golfo da Guiné. Existe uma real exposição a ameaças que prejudicam este paÃs. Estas ameaças afetam a estabilidade, a paz a sustentabilidade dos recursos marinhos e bem-estar das populações. Por isso, exige-se uma efetiva segurança marÃtima nesta região”, assinalou o Chefe do Estado-Maior da Armada portuguesa.
O almirante Gouveia e Melo defendeu que “as ameaças à segurança marÃtima de um paÃs devem ser sempre também entendidas como ameaças transnacionais”, porque atravessam as fronteiras marÃtimas “afetando paÃses africanos e europeus, impactando negativamente as suas relações comerciais, sociais e culturais”.
Gouveia e Melo sublinhou que a missão do NRP Zaire teve uma “natureza única” por ter sido operada por uma guarnição mista de 23 militares portugueses e 14 são-tomenses.
“Neste perÃodo de missão, o ‘Zaire’ contou com 2.013 dias de missão, tendo percorrido mais de 37 mil milhas. No mar, realizou 19 ações de busca e salvamento, as quais resultaram no salvamento de 18 vidas, 31 ações de fiscalização conjunta, 13 ações de segurança marÃtima no âmbito da pirataria, oito vistorias a navios no mar e também participou em diversos exercÃcios internacionais”, descreveu Gouveia e Melo.
A missão do NRP “Zaire” promoveu atividades de formação em saúde, limitação de avarias, abordagem de navios ou manutenção.
O ministro são-tomense da Defesa, Jorge Amado, reconheceu que “pela sua posição geoestratégica, São Tomé e PrÃncipe encontra-se exposto à s ameaças à sua segurança marÃtima”, nomeadamente a pesca ilegal não declarada e não regulamentada, a pirataria marÃtima, o roubo ou obtenção ilegal de recurso marinhos, o tráfico de pessoas e bens, a criminalidade organizada, a poluição e outras ameaças ambientais e o terrorismo.
Jorge Amado assinalou as “diversas ações de pirataria marÃtima” nos paÃses ribeirinhos do Golfo da Guiné, enquanto zona de intenso tráfego marÃtimo, que “colocam em risco a estabilidade geopolÃtica da região e a economia global”.
“O futuro desta cooperação no domÃnio da defesa entre Portugal e São Tomé e PrÃncipe não termina com a partida do NRP Zaire. Esta ação decorre de mais um pedido feito à Portugal para colocar em São Tomé e PrÃncipe mais um meio mais moderno com elevados Ãndices de eficácia que se consubstanciou com a vinda do NRP Centauro […] um meio mais moderno, mais rápido, com equipamento mais avançado”, sublinhou o ministro da Defesa são-tomense.
O novo navio e embarcação de fiscalização enviados por Portugal deverão chegar a São Tomé dentro de dois meses para dar continuidade ao projeto de cooperação de fiscalização conjunto do mar são-tomense e do Golfo da Guiné.
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