
Loures, Lisboa, 14 jun 2023 (Lusa) — A central de incineração de resÃduos da Valorsul, em Loures, está “paralisada” desde segunda-feira, devido a uma greve dos trabalhadores que se vai prolongar até sexta-feira, disse hoje à agência Lusa fonte sindical.
No entanto, contactada pela Lusa, fonte da administração da empresa disse que a greve não está a provocar “constrangimentos na receção de resÃduos” e referiu que “as viaturas municipais que se dirigiram hoje à Valorsul tiveram as portas abertas e estão a entrar, de forma ordeira e pacÃfica, para descarregar os resÃduos urbanos recolhidos”.
Os trabalhadores da Valorsul, empresa responsável pelo tratamento de resÃduos nas regiões de Lisboa e Oeste, iniciaram um conjunto de paralisações que começaram à s 00:00 de segunda-feira e se prolongam até à s 00:00 de sexta-feira.
Esta é a segunda vez, no espaço de um mês, que os trabalhadores da Valorsul fazem greve, tendo a última ocorrido entre 08 e 12 de maio.
Em declarações à agência Lusa, Mário Matos, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas (SITE/CRSA) e também trabalhador na empresa, referiu que o protesto está a ter “uma elevada adesão”, funcionando apenas com serviços mÃnimos.
“A adesão dos trabalhadores nas unidades que têm estado em greve tem sido elevada. A central está paralisada, desde que começou a greve, e as outras unidades também têm tido uma boa adesão”, descreveu o sindicalista.
Mário Matos explicou que no caso da central incineradora, localizada em São João da Talha, concelho de Loures, a greve está a ser feita “turno sim, turno não” (duração de oito horas) e se prolonga até sexta-feira.
Relativamente à s outras unidades da Valorsul, o sindicalista referiu que o aterro sanitário de Mato da Cruz (concelho de Vila Franca de Xira) está encerrado desde terça-feira, devido a uma paralisação de 48 horas que se prolonga até quinta-feira, e que a Estação de Tratamento e Valorização Orgânica “trabalhou a meio gás” na segunda e na terça-feira.
Na quinta e sexta-feira será a vez de paralisarem os trabalhadores do Centro de Triagem e recolha seletiva.
Segundo Mário Matos, os motivos da greve têm a ver com aumentos salariais de forma a permitir a recuperação do poder de compra devido à inflação, 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, cumprimento integral do acordo de empresa e a valorização das carreiras dos trabalhadores.
“A administração não dá resposta à s nossas reivindicações, que passam pelos aumentos salariais, pela redução do horário semanal para as 35 horas e, até ver, ainda não tivemos qualquer resposta da administração”, lamentou.
O sindicalista sublinhou que “dada a ausência de respostas da administração tudo está em cima da mesa”, nomeadamente a realização de uma greve durante a Jornada Mundial da Juventude, que se realiza entre 01 e 06 de agosto.
“Nada está descartado. Tudo vai ser avaliado. Na sexta-feira iremos discutir os próximos passos”, apontou.
A fonte da administração da Valorsul contactada pela Lusa disse ainda que só no final da semana será possÃvel “aferir e comunicar a real adesão à greve”, já que se trata de uma paralisação “descontinuada”, mas assegurou que a empresa está a acompanhar a situação de perto para “tenha o menor impacto possÃvel junto da comunidade”.
A Valorsul, com cerca de 450 trabalhadores, é a empresa responsável pelo tratamento e valorização dos resÃduos recicláveis e resÃduos sólidos urbanos produzidos em 19 concelhos das regiões de Lisboa e Oeste.
FAC (DD/RCP) // VAM
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