
BrasÃlia, 31 mai 2023 (Lusa) – Mais de quatro meses após o Governo brasileiro ter declarado estado de emergência sanitária na reserva indÃgena Yanomami, a situação “melhorou”, mas “continua preocupante”, afirmou a ministra da Saúde do Brasil, Nisia Trindade.
Em entrevista telefónica à agência noticiosa France-Presse (AFP), Nisia Trindade explicou que “houve melhorias, em particular uma queda nos casos de desnutrição grave, mas a situação continua a ser preocupante”.
“Ainda temos um grande número de casos de malária, mais de 6.700 desde o inÃcio do ano, oito dos quais mortais”, disse.
O estado de emergência sanitária foi declarado a 21 de janeiro, três semanas após a tomada de posse do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que sucedeu a Jair Bolsonaro.
Após a publicação de dados oficiais que revelam a morte, em 2022, de uma centena de crianças com menos de 05 anos na maior reserva do paÃs, onde vivem cerca de trinta mil indÃgenas, foi aberta uma investigação para apurar se houve genocÃdio por parte da administração anterior.
O território Yanomami, que tem a dimensão de Portugal, encontra-se em estado crÃtico há anos, devido à intrusão de garimpeiros.
Os indÃgenas acusam-nos de violarem e matarem membros da sua comunidade, privando-os de um dos seus principais meios de subsistência, a pesca, ao poluÃrem os rios com mercúrio.
O exército foi mobilizado pelo Governo de Lula da Silva para desalojar os garimpeiros em fevereiro, mas muitos garimpos ilegais continuam a funcionar na reserva.
O hospital de campanha instalado no final de janeiro pela Força Aérea em Boa Vista, capital do estado de Roraima, para reforçar a capacidade de atendimento aos indÃgenas, continua em funcionamento até hoje.
“É preciso lembrar que essa situação de emergência se deve ao facto de essa população ter sido negligenciada, privada dos cuidados mais básicos” durante o governo de Bolsonaro, disse Nisia Trindade.
Na semana passada, a ministra brasileira viajou para Genebra, onde a Organização Mundial da Saúde aprovou uma resolução proposta pelo Brasil que torna a saúde dos povos indÃgenas uma prioridade global.
“A aprovação dessa resolução é importante, porque reconhece que os povos indÃgenas precisam de uma atenção especial (…) adaptada à s suas particularidades culturais”, afirmou.
“Em muitos paÃses, como o Brasil, os indicadores de saúde são piores para os povos indÃgenas, nomeadamente em termos de mortalidade infantil e esperança de vida”, frisou.
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