Paris, 27 mai 2023 (Lusa) – O secretário de Estado das Comunidades, Paulo Cafôfo, esteve hoje em Paris para começar a entregar tablets que vão facilitar a aprendizagem de português a lusodescendentes e anunciou um projeto-piloto de ensino à distância em Bordéus e Estrasburgo.
“Estes equipamentos também poderão servir para testar um projeto pensado para a França, para Estrasburgo e para Bordéus, porque consideramos que nos locais onde não seja possÃvel formar uma turma, as novas tecnologias vão permitir a um professor ministrar à distância essas aulas”, disse Paulo Cafôfo em declarações aos jornalistas.
O secretário de Estados das Comunidades está em França desde sexta-feira, tendo passado por Bordéus, e entregou hoje no Consulado-geral de Portugal em Paris dezenas de tablets a alunos das aulas de lÃngua portuguesa em meio associativo na região de Paris. Dos cerca de 24.000 tablets destinados à s crianças que aprendem português no Mundo, cerca de 1.200 vão ser distribuÃdos em França.
Estes dispositivos, que têm software em português e ferramentas de aprendizagem, vão servir, segundo anunciou também o secretário de Estado, a chegar aos alunos em França onde devido à falta de inscrições não é possÃvel formar uma turma e colocar um professor de forma presencial.
“Há, é verdade, alunos que querem frequentar o ensino de português, mas a dispersão [de alunos] não permite que se forme uma turma e que se possa atribuir um professor. E, portanto, esta é uma situação que de forma complementar dará resposta aos alunos que hoje não conseguem aceder à s aulas de português”, explicou o governante.
Este projeto-piloto vai arrancar nas cidades de Estrasburgo e Bordéus já no inÃcio do ano escolar 2023-2024 e poderá, segundo Paulo Cafôfo, ser depois alargado ao resto da França.
Susana, que vive em Viry-Chatillon, nos arredores de Paris, e esteve hoje no Consulado-geral de Paris para vir buscar um destes tablets deu conta à Agência Lusa da dificuldade de inscrever o seu filho, agora com 14 anos, nas aulas de português.
“Da parte da escola foi muito complicado e depois aproximei-me diretamente da professora de português, que dá aulas numa associação, logo no segundo ano da escola primária e, a partir daÃ, continuou sempre”, explicou esta portuguesa instalada em França, que diz que a ligação com Portugal do seu filho se reforçou graças ao domÃnio da escrita.
Em França, o ensino da lÃngua portuguesa nas escolas primárias fica a cargo do Estado português através do Instituto Camões e a responsabilidade passa para o Estado francês a partir do sexto ano, quando se inicia o ensino básico em França. No entanto, muitos alunos acabam por aprender português em meio associativo devido à dificuldade de continuidade entre a escola primária e o ensino básico ou o fraco número de inscrições.Â
“Optámos por privilegiar o ensino paralelo [com a entrega de tablets], ligado ao movimento associativo, neste abraço que as associações dão à cultura portuguesa. A nossa preferência é entregar tablets ao ensino paralelo, porque a nossa prioridade são os lusodescendentes”, explicou Paulo Cafôfo.
Segundo o secretário de Estado das Comunidades há atualmente 14 mil alunos a aprenderem português em França no ensino público e nas associações, estando colocados 102 professores de português através do Instituto Camões. Por enquanto, não se sabe se haverá um aumento de professores para o ano letivo 2023-2024.
Paulo Cafôfo seguiu esta tarde com o seu programa em França, tendo tido um encontro com os empresários de origem portuguesa em Paris e no domingo vai marcar presença na festa portuguesa de Pontault-Combault, uma das maiores em França.
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