
Lisboa, 08 mai 2023 (Lusa) — A SEDES defendeu hoje que Portugal não tem um défice hÃdrico, mas um problema de distribuição, pedindo a conclusão dos planos de eficiência, o aumento das reservas, bem como a possibilidade de transferência de água de norte para sul.
“Se é verdade que, no sul, a precipitação anual tem sido mais reduzida, não é menos verdade que os fenómenos extremos de precipitação também acontecem — exemplo do que se passou no outono de 2022 –, e que a norte do Tejo os recursos hÃdricos são relativamente abundantes”, lê-se numa nota da SEDES enviada à Lusa.
Assim, para esta associação, Portugal “não tem um défice hÃdrico”, mas antes um problema de distribuição hÃdrica.
Conforme apontou, no sul existem bons solos, parcelas agrÃcolas maiores, mas não existe água.
Já a norte, os terrenos são menos aptos para a produção agrÃcola, com parcelas mais pequenas e água em abundância.
“É, por isso, urgente pôr em prática as soluções já estudadas e identificadas para que Portugal fique preparado para enfrentar estes fenómenos climáticos, evitar a desertificação de algumas zonas, fixar as populações nestas regiões e manter a coesão territorial”, defendeu.
A SEDES disse ainda ser importante concluir, “o mais rapidamente possÃvel”, os planos de eficiência hÃdrica e os pactos de água já em estudo, de modo a tomar medidas adequadas à gestão da água.
Paralelamente, há que ajustar as disponibilidades à s necessidades, “do consumo humano à indústria, passando pelo turismo, pela agricultura ou até pelas novas fontes de energia”.
Esta associação considerou ser “absolutamente essencial” o aumento das reservas de água a sul, vincando ser necessárias mais barragens e charcas.
“O paÃs tem em escorrências cerca de 47.000 h3 [hectolitros cúbicos] e o consumo total anual de todas as atividades é de cerca de 5.900 h3. 1% desta água dá para regar 100.000 ha [hectares], é fácil entender o quanto é desperdiçado para o mar”, apontou, lembrando que o Alqueva é a prova de uma “abordagem séria e estratégica” de armazenamento de água.
Outra solução é a possibilidade de transferir água de norte para a sul, “integrando as bacias hidrográficas do Douro, do Tejo, do Guadiana e do Sado, trazendo água do Minho para o Algarve, numa verdadeira ‘autoestrada’ da água”, acrescentou.
A associação pede assim “um verdadeiro empenho e vontade polÃtica” para resolver o problema dos recursos hÃdricos, em nome do interesse nacional.
A SEDES é uma associação cÃvica, constituÃda em 1970, com 17 distritais em Portugal, que tem observatórios dedicados a temas como Agricultura, Cultura e Comunicação Social, Justiça, Saúde ou PolÃticas Económicas.
O Ministério da Agricultura e da Alimentação, tutelado por Maria do Céu Antunes, reconheceu hoje a situação de seca severa e extrema em cerca de 40% do território nacional.
Num comunicado hoje divulgado, o ministério garantiu ter sinalizado a situação, na semana passada, junto da Comissão Europeia, acrescentando que a adoção de um conjunto de medidas está sempre dependente da “luz verde” de Bruxelas.
De acordo com o Ãndice ‘PDSI — Palmer Drought Severity Index’, citado pelo Governo, no final de abril, verificaram-se 40 municÃpios na classe de seca severa e 27 em seca extrema, o que corresponde a cerca de 40% do território.
Para isto contribuÃram as temperaturas “acima do normal”, as ondas de calor e a reduzida precipitação em março e abril.
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