
Moscovo, 07 mai 2023 (Lusa) — O lÃder do grupo paramilitar russo, Yevgueni Prigozhin, anunciou hoje que o Ministério da Defesa russo prometeu armas e munições para continuar a lutar em Bakhmut, depois de ter ameaçado retirar os seus mercenários da cidade ucraniana.
“Esta noite, pela primeira vez, recebemos uma ordem a afirmar que iremos receber as armas e as munições necessárias para continuar as ações de combate”, disse Prigozhin numa mensagem de áudio transmitida no seu canal do Telegram, citada pela agência EFE.
O lÃder do grupo Wagner indicou ainda que lhe foi garantido que “tudo será feito” para “que o inimigo ucraniano não ataque” e que o grupo Wagner pode “agir em Artiomovsk [nome russo para Bakhmut] da forma que achar conveniente”.
Prigozhin também afirmou que o general Sergei Surovikin será o responsável por “tomar as decisões sobre as ações de combate de Wagner e a sua comunicação com o Ministério da Defesa”.
As declarações do lÃder do grupo paramilitar surgem depois de no sábado ter pedido permissão ao exército russo para entregar as posições na cidade ucraniana de Bakhmut à s tropas do lÃder checheno Ramzan Kadyrov, em protesto pela falta de munições.
O lÃder checheno, Ramzan Kadirov, expressou na sexta-feira a disposição para substituir o Grupo Wagner em Bakhmut com as suas unidades especiais.
Bakhmut, palco desde agosto de 2022 da mais longa e sangrenta batalha da guerra na Ucrânia, é atualmente o principal objetivo da campanha militar russa.
Até agora, os mercenários e ex-presidiários recrutados por Prigozhin tomaram praticamente toda a cidade, onde os defensores ucranianos controlarão apenas 2,5 quilómetros quadrados.
Nas últimas semanas a tensão aumentou entre o grupo paramilitar e os militares russos, com Prigozhin a acusar o Estado-Maior russo de não fornecer munições suficientes ao grupo Wagner para impedir uma vitória que ofuscaria o exército do paÃs.
Num outro vÃdeo publicado na madrugada de sexta-feira, Prigozhin acusou o ministro da Defesa russo e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de serem responsáveis pelas perdas do grupo paramilitar.
Não é a primeira vez que Prigozhin ameaça a retirada do grupo Wagner de Bakhmut devido à falta de munições.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia, de acordo com os seus argumentos – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
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